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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Em ruínas

Imagem do Pinterest


Eu que sempre
tive humor
ao olhar
o paradoxo
bizarro que é a vida
Tenho agora
uma alma esquisita
e sem empatia
pelo corpo
que habita
Não reconheço mais
essas veredas
que sigo
e minha casa
não é nem lar
nem aconchego
É arremedo
risível de um teto
onde eu me
abrigo.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Imagem do google

Não importunem
a menina
Não acordem
os seus sonhos velhos
Nem evoquem
quem ela era
Não lembrem
quem queria ser
Que ela não repare
que já não povoa
lugar algum
Deixem a menina dormir
Ela já não tem mais
corpo de dançar
nem compleição
de ser bonita
Em seu rosto já vincado
o sorriso é um esgar
e seus olhos que
já não avistam
muito bem
perderam o lampejo
Seu coração carece ficar
resguardado
para que não padeça
de ser o que sobrou
Deixem em paz essa menina
Ela não precisa saber
da velha que se tornou.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Das miudezas

Imagem do google



De todas essas coisas
do gostar
O que houve com
as tampas dos frascos
e com grampos
que se perderam?
Como se desfaz
de lençóis que já puíram?
Aonde estão os pares
de brincos que se separaram
para sempre?
O que se faz com as lembranças
das palavras ditas?
As bem ditas
e as malditas?
De todas essas coisas
do deixar de gostar
como se dá adeus
ao que já foi eterno?

domingo, 7 de maio de 2017

Amor


Insanidade plena
de esplendida
consciência
e desatino
É o feitio desse
amor notável
que ainda
experimenta-se
por partes
enquanto aguarda
o consentimento
de devorar-se
carregando o alivio
do antropofágico
Amor sublime e atento
antes
Ele virá
irrompendo bocas
rasgando rodovias
trazendo consigo
os ancestrais
e alimentando-se
do seu próprio existir
Amor que enxerga
fótons e átomos
cosmo e cromossomos
Carregado
de pertencimento
absoluto
Amor em ponto de desastre
que fará sucumbir
todos os carmas
e permanecerá por
todas as encarnações.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Bacada

imagem do google


Meu amor
te acabrunhes não
Viajo derrapando
caio em depressão
ando na contramão
Poderemos
caso queiras
mudar o rumo da estrada
da rua esburacada
da rima pobre
e dessa prosa
espaventada
Eu devolvo os beijos teus
(Aqueles que não me deu)
Só não posso ressarcir a rosa
(Ah... também não foi mimo teu)
E não terás de mim
mais qualquer queixume
Permito-te viver impune
sem precisares assistir
nenhum  desastre meu
até que algum sinistro

se consume...

domingo, 31 de julho de 2016

Frustração







Ainda que eu peça
só por um instante
um tiquinho apenas
de sanidade e calma
é flagrante
a insaciável
morbidez
da minha alma
infinda e turva
Poço sem fundo
de sonhos
malogrados
e de pesadelos
medonhos...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Retorno



Saí à procura
de mim e
não me encontrei
Mas posso dizer
que achei
fragmentos meus
por aí
em muitas
pequeninas
coisas
Num quero-quero
distraído
Numa nuvem a
acinzentada
e numa trovoada
de dar medo
Me vi num acorde
numa tragedia
numa palavra
num olhar
e num corpo em
movimento
Achei pedaços
de mim
numa canção
(e claro)
na solidão
Continuo sendo
um mosaico
inacabado.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dos vazios...

imagem do google

Nada me contém
e eu não me contento
Não me detenho
Nada contenho
Sou cheia de nada
e o nada é infinito
Sou infinita...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Versejos

Imagem do Google


Ando à margem
dos entremeios
e a caçar entretantos
e alguns poréns
Persigo indignações
sem grandes
expectativas
Ando ser
sem cobiça
de caçar tesouros
Quero versos
pois na poesia
eu  viscejo
e versejo
Lambo as feridas
de dentro
com indulgências
E sem sequer
abrir os olhos
eu passeio
satisfeita e imperfeita
abjeta
indiscreta
e visceralmente
exposta.

domingo, 27 de abril de 2014

Apatia

Marius Markowsk


Tracejo sem volúpias
Só palavrório
de estoico
padecer 
em jornada
carecida 
de sensualismo
Por isso escrevinho
com canetas
sem garras
quase sem tinta
Trafego sem as tais
excêntricas angústias
A não ser as que
sempre sinto
De estar viva sem
viver...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Descosturados



A primeira
impressão
é de que éramos:
Eu
tecido nobre
e tu
linha rija
Nosso amor
em pontos firmes
costurado

Subitamente
sem qualquer
embate
em baldio
desempate
distingo bem
melhor:
Eu
pano puído
e tu
alinhavo frouxo
e sem arremate.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Abandono

imagem do google

Esse meu
coração gasto
e apequenado
mirrou
feito meu timo
intimidado
No recôndito
é onde foi morar
meus olhos
e num refúgio
se abrigou
meu sorriso...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

instável

Alexsander Bangly

Estou esporádica
de vontades
e efêmera de ensejos
Ando provisória em mim
e toda supérflua de si
Sentenciada a viver
detestáveis silêncios
ocos e incondicionais
Estou quase
alguma coisa
que ainda
não defini...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sobressalto



Alguma truculência
é necessária
para chacoalhar
meu coração
e achincalhar
de vez com
minha alma
tão emotiva.
Qualquer turbulência
ficou imprescindível
para que eu (re)viva...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

...

imagem do google


Eu tenho uma
dessas almas penadas
que vivem
em compasso de espera
em estado de aguardo
no anseio do milagre
do dia sagrado
sou alma  de santuário
abarrotada de
expectativas e orações
que desatina
procrastina e sonha
espera
mas não sabe o que
espera...

terça-feira, 20 de agosto de 2013



Vacilo exausta
pela vastidão
de intempéries
sem tréguas
São tantas
(as intempéries)
Extenuada
sigo erma
de sonhos
Desencantada
Tanto
que até meu canto
que era amparo
silenciou.
Tornei-me
pausa.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Exercício



Tenho me apoucado
por esses tempos
Pondo-me de lado
adestrando a pequenez
Permitindo-me
vislumbrar a submissão
e tentando perfilhar
a humildade
Ando me encolhendo
não por medo
nem por cena
nem um tico
de rancor
É só anseio de me afogar
no nada
de onde tudo procede
Até o imensurável
Amor

domingo, 28 de julho de 2013

Indubitável

Imagem do google

Impertinentes todos
os poetas
que se apoderam dos
vocábulos absortos
Compondo versos
sem arranjo
ou reverência
Têm preferência
pelos verbos distraídos
Às vezes tão arrogantes
Apaixonados
e apaixonantes
Sempre de tocaia
tentando abocanhar
palavras entretidas
que na língua
vivem dependuradas
por uma linha

imaginária.

domingo, 2 de junho de 2013

Vazio

Mimma de Salvo

Ando à caça
da poesia
por esses dias frios
dia após dia
Às vezes 
à noite
horas
no escuro
perscruto
e nada
nem uma palavra
Fugiu de mim
essa fada
e fiquei oca

de vida...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cautela



Ando a exercitar a solidão
por pura precaução
e que não paire
compasso de dúvida
de que todas as canções
terminarão em solo.