Mostrando postagens com marcador poema inédito - Rossana Masiero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema inédito - Rossana Masiero. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Presságio


imagem do google

Não se atreva
a me pedir calma
logo agora
que minha alma
é pano roto
e sou estrangeira
aturdida
nesse corpo
estranho
e encanecido
Logo agora que
os tempos
são de desastres
eminentes
e a qualquer
momento
tudo é nada
Paciência
não tenho
pois que
nessas eras
carrego apenas
urgências
e pavores tais
que intuo
ao flanar
pela existência
solitária
de envelhecer...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Traço

Se de um lado trago um traço Doce Manso Deslumbrado Feito um traço masoquista De outro trago outro traço Inquieto Doente Malvado Choroso e desencantado Triste Sádico Egoísta Se de um lado trago um anjo guardado dentro do peito que me mata de aflição De outro tenho um demônio que me enlouquece a cabeça e chega a desvairar de prazer meu coração
.
.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Somente só

Solidão solene Soberbamente solícita Soterra sorrisos Sobeja sofrimentos Solvendo sonhos Solicitando solidariedade Sorvendo sobriedade Solilóquio sofomaníaco Sobriamente soturno Sombriamente sonolento Sofrimento sobrecarregado Sonâmbula sordidez Soledade sonegada Sorrateira soidao Sono solitário Somente só Socorro!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

olhos d'água

A cor que eu vejo
você não vê,
porque sou eu
que olho
os teus olhos
e leio
o profundo
infinito de você.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cara Cora

Não sou a velha mais bonita de Goiás! Nem do centro-oeste eu sou Nem velha ainda Talvez as vezes enquanto moça... Bonita? Ainda coro se alguém diz E com as faces corais coralíneas deleito-me com a senhora Cara Cora poetiza Namoradeira? Não confessaria como ela
Nem a idade de meus versos Assim fica bem pra nós duas De repente deu-me vontade danada Também de lançar rede na lua E sair catando estrelas...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

o dia

Quero a poesia de qualquer maneira com cheiro de tempo poeira e ventania Quero o poema alvoroçando a noite Quero a poesia avassalando o dia E quero o poeta que já não sei mais se o quero mesmo ou só tua elegia Saberei somente ao chegar a hora de encontrá-lo Olhos frente a frente E enfim será então o dia insigne da minha vida Será o dia de rever a mim E nesse dia vingarei os sonhos Compensarei desejos Indenizarei saudades Dissiparei pegadas dos caminhos que viemos E desse dia em diante decretarei o perdão eterno pelas escolhas que fizemos.

sábado, 4 de julho de 2009

Eu amo...

Antoine Watteau - Cupido desarmado Amo os indisponíveis os inalcançáveis os impossíveis os imperdoáveis os inadequados e os inadmissíveis Os que nunca foram os que não serão os que já passaram e os que passarão Amo o que não virá o que nunca mais voltará Amo até o que não é vivo Amo o irreal o virtual e o antigo Amo o desconhecido e o amigo E amo tanto e amo todos que amo até o que está comigo...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Monalisa

Fernando Botero
Meu semblante debochado
Que eu até já conhecia
Nem sempre me acometia
Por conta da verve dramática
Sou mesmo um tanto sarcástica
Mas por conta da elegia
Ando perdendo a piada
pra não perder a poesia...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Palavras ao vento...

Não temo a dor que não me mata Melhor a dor que me emociona Navego em rotas clandestinas e acostumada estou as intempéries de oceanos densos perigosos Me dou bem nas tempestades Vou por caminhos periféricos e não me envergonho ou me entristeço mais Não há vaidades dúvidas ou ego e vendavais não me intimidam Mas eu tenho a minha musa intocável e o meu tamanho é desimportante diante do universo infinito do poema Posso ter a medida da baleia ou a estatura de um plâncton Lutar com a fúria da água ou juntar-me a ela Irrelevante Só a Poesia transcende a dimensão É por ela que eu vivo e a vida é curta E um poeta perdido é quando muito E um poema perdido é quase tudo E se for me fazer mal que seja feito... Quero de volta o leme da poesia Pois que o verso é o relâmpago que me acende é único farol que me guia na secreta escuridão em que me oculto.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

sobre mim



Tenho o coração barroco e rebuscado
com santuários góticos depredados
Pelo lirismo afoito dos amantes
E medonhos sonhos de infantes
cheios de eufóricas e ornamentais tormentas.

Adolescente pasmo ante a renascença
Cego-me defronte ao iluminismo
sem conseguir alçar o céu impressionista
Comove-me minha verve da descrença
 e o fatalismo romântico e escapista,
de ideal e sentimentalismo.

Mas também sou lá de sutilezas e metáforas
E por vezes me entalho um verso a canivete
Importa só que sangre todo dia
 e durante algumas horas da viagem
Para que a ferida nunca cicatrize
E que o poema sempre se apresente
numa dramática e dolorosa
tatuagem.

domingo, 14 de junho de 2009

logomaquia

CARAVAGGIO: Judith Beheading Holofernes.

Será que faço poesia?
Suspeito ser só mania
Ou mesmo idiossincrasia
Para simples proteção

Poetas são os “Pessoas”!
 “Drumond” é que é poesia!
 Escrevem com pura magia
Dia e noite
Noite e dia
Como uma religião
Eu sou somente aprendiz
Padeço de sazonal elegia
Escrevo pela hipalgesia
Para ficar bem vazia
de dor e de emoção
Não Não faço poesia...
Só sofro de lirismo-bulimia...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Abusada



Quero voltar a ser menina
não de sete, nem dezessete
Menina mulher de vinte e sete
Pronta para os pecados
cometendo-os pela vida
Namorar as escondida
 e passear aí pouco vestida
transparente e enfeitada
Quero muito beijar na boca
Ter ao menos três namorados
um pra de noite e dois para o dia
e um amante por garantia
para um momento de solidão
Pois se eu não for muito amada
que seja ao menos desejada
Ou no mínimo bem usada
bem mimada
bem beijada
Só não quero ficar guardada
na prateleira de um coração.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vacância


Desisto da vaga anteriormente desejada
Meu currículo atende muitos requisitos
Mas o perfil do patrão
não se encaixa mais aos anseios
da candidata.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

olha a rima que dá

Foto montagem

Quero um pouco de Miró
e um pouco de Gaudi
 Quero um tanto de Dicró
E outro tanto de Aldir
 Quero de todos um pouco
E de outros tantos ainda mais
Quero um samba debochado no altar das catedrais
Num barroco barracão
Gótico
 Catalão
Vou musicar as preces ritmadas
e deixá-las ainda oração
apenas mais engraçadas
 para alegria dos Santos e de Deus
E esculpir na imagem a poesia
e na arquitetura edificar viagens
Sambar nas telas e poetar loucuras
E pintar nas passarelas
Números e constelações
E num enredo definitivamente sem sentido
começar a cantar "olha a rima que dá"...


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Receita errada

 
Eu quis fazer um bolo saboroso
um deleite doce e apetitoso
pra se comer junto a um café quentinho
num entardecer da vida aconchego
Uma guloseima que não mata a fome
mas que lambuza de prazer
a língua de quem come
e nutre a alma de esperança

Pedia a receita igual medida
em quantidades infinitas
do trigo do amor e da amizade
E duas xícaras do açúcar da paixão
Uma colher de afeto era o fermento.
E tudo se misturava dentro da cumbuca do coração
Podia adicionar um naco de saudade e de história
Eu os tenho bem guardados no armário na memória
E uma pitada de sal bem ao meu gosto...

E foi assim, que por medo de ficar insosso
cometi o engano indesculpável
O sal era o egoísmo era a cobrança
que deveria ser usado só um tantinho
com muita temperança...
para neutralizar o melado das lembranças
e realçar o sabor da emoção.

Perdi-me entre tantos ingredientes
Errei a mão sem ter percebido
Pus para assar o erro cometido
e agora eu tenho um bolo intragável
Não há ninguém para comer comigo
Não é possível de ser digerido
Não é passível de ser mastigado
Ficou salgado e está tudo perdido

Estou faminta frente ao bolo desandado
E o café esfria na mesa da solidão
Tenho ainda tantos ingredientes
Tenho o trigo do amor e da amizade
E a afeição que faz crescer a massa
Ainda resta paixão dulcificada
E na despensa, história o bastante
E saudades, então, eu tenho aos montes

O sal do egoísmo, eu joguei fora
O saco inteiro pra não ter tentação...
Eu usaria em seu lugar se me emprestasse
Uma xícara cheia de perdão
E eu faria outro bolo novamente
E daria todo ele de presente
Ao poeta que me alimenta o coração.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

partes

 
Na ausência de me saber
É em que me fio...
Na parte de mim que desconheço
É em que me guio...
Meu lado escuro é o único que ilumina...
Por que o que não sei é o que mais quero?
Porque o que já sei não satisfaz?
Nessa falsa trégua
Entre mim e eu
A parte de mim que mais dá medo...
É o cofre onde escondo os meus segredos.
É o lugar em mim que me fascina
É a parte de mim que me apraz.

terça-feira, 19 de maio de 2009

As vezes

blue - Nathan Sawaya

Sinto-me as vezes um arremedo
Uma chacota
Uma anedota de mau gosto
Um brinquedo
Um "encosto"
Um estorvo
Um incidente inconveniente
Insistente...
Simulacro de gente
Quase nada!
Nem poeta
arquiteta
cantora
Nem pessoa...
Piada sem graça
 Impostora!
Só as vezes...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Preferências


Prefiro argila
à pedra firme
Argila se amolda
se adapta
e macia se redime
Prefiro pó
à pedra dura
Poeira
revoa
redemoinha
e feliz se reestrutura
Pedra firme?
Um mineral
com ponto de vista
constante
Piatã ignorante!

domingo, 10 de maio de 2009

Anoiteceu

Sem referências de autoria da imagem

Anoitece...
Olho o céu
Tanto a dizer
Perco-me em filosofia...
Pensamentos segmentados
Sensações truncadas
Raciocínio incompleto
Lento...
Disperso...
Nostalgia...
Química demais
Cérebro cansado
Hormônios suponho
Vago vaga...
Já perdi o fio da meada
outra vez
Tinha tanto a dizer
do céu que escureceu
Esqueci ...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

De você


De você eu queria mesmo
a esperança ainda que ilusória
de um julho quente
de um ano qualquer
irrelevante
pois que por mais ausente
que estivesse
e distante
a poesia de um futuro
me aqueceria
a alma no presente.