sexta-feira, 14 de maio de 2010
movimento
Nem parnasiana
Nem realista
um pouco pessimista
um tanto romântica
Nada quântica
Número inteiro
Fujo da métrica
Capto símbolos
Gosto de palavras
como "bruma"
e "névoa"
Desfocada
Sem freios
o reboque
a que me atrelo
Sou sem regras
As vezes eu fujo
das rimas
As vezes não
Gosto de palavras
em desuso
"Claviculário"
Onde guardo as
chaves da poesia
E num ritmo
nem sempre azado
me movimento.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Sobre o pudor
Tela Mary Cassatt
Eita palavrinha feia: pudor.
Mas seus significados sempre permearam meu cerne desde menininha. Como casca. Não que goste de ser pudorenta, que é uma palavra ainda mais feia, até por não ser coisa que se escolha ser.
Pudor não é vergonha, tampouco hipocrisia. É um jeito etéreo, que a delicadeza nos empresta na meninice e que não se desveste como uma roupa que já não serve.
Pudor é uma segunda pele que vai amoldando-se ao nosso corpo quando crescemos, tomando a mesma forma, esticando e esticando. As vezes nos comprime.
O pudor reprime.
Outras vezes se rompe e é assim que sabemos que uma pessoa é despudorada. Quando ela é livre dessa película de compostura e reservas. Não sei se gosto de usar, mas em mim, o pudor me contém, apesar de desfiado, esburacado...
Eu tenho grande atração por gente assim despudorada, que fala dos enigmas do existir com descaramento, que age impulsionada apenas pelo prazer de haver e às vezes pelo prazer em abismar almas acanhadas como a minha, que se acabrunham fragilmente.
Tem coisas que minha suscetibilidade insiste em não aceitar. Melindro-me até hoje como uma menininha parva.
Tenho alma de consistência pastosa, dada a sabores agridoces que nunca se combinaram. Algo assim como vinagre e sorvete no mesmo pote, que não tenho precisão de detalhar.
Só quero mesmo é delinear vagamente do que eu sou feita para que seja possível eu me reconhecer nesse sabor travento.
E que nesse processo de reconhecimento de mim eu consiga ter compreensão de outros, por esse meu jeito. Acho que ando carente de aceitação, coisa que nunca me entusiasmou.
Talvez ande mesmo precisando de empatia, cumplicidade, ou apenas respeito
Meu pudor não é manha, pois que não sou sonsa, e as vezes finjo que não o tenho e ensaio um tipo assim arredio, para soltar um tanto das feras que abrigo e que tem garras retráteis, que vez ou outra me arranham querendo sair.
É só minha maneira de existir .
domingo, 9 de maio de 2010
Deixa, mãe...
Claude Monet
Agora eu já aprendi
como a gente tem que ser.
Você nunca me disse
como ser ser quando crescer...
Pois que agora
eu ando toda errada,
sempre pendendo prum lado,
que nunca é o lado certo.
Tenho a alma desconjuntada, mãe.
Ai, mãe: Sei que alma não tem junta!
Mas a minha é mais esquisita.
Eu faço verso, mãe...
Tem coisa mais dolorida?
Me deixa tentar de novo, mãe!
Quem sabe eu renasça
alguém mais apropriado...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
sem rédeas
Escultura: Fernando Ito
Minha alma vadia
escapole por frestas e janelas
a fujona...
Rejeita regras e cancelas
Rebela-se dentro de mim
a insubordinada
A minha alma libertária
seduz a minha revelia
a impudica
Gosta de se repartir
Se esparge por todo lado
a anarquista
E é um tanto perversa
Cutuca e desconversa
E não confessa
Nunca confessa...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
FHHhhhh
De minha caneta
que abuso para (de)cantar
quero compor
uma melodia de silêncios
Quero uma partitura
de pausas
Breves
Semibreves
Na clave que ainda
inventarei
Da capo al fine
E vou por aí
espalhar rimas
Enquanto danço
no ritmo do bater de asas
do anjo que me sopra
o melhor
refrão.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
compreensão
imagem do google
Entendi
finalmente
“Eternamente”
é palavra eterna
só na mente
Somente
é terna
Mas
só
mente...
*
*
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Danilo Di Prete óleo sobre tela
Ai, menina
que nem sou mais
Me fundo
Inundo-me de comiseração
Desfigurada
Deflagrada minha guerra
temporal
subitamente impessoal
Exausta poetizo
Estou desaparecida
Não me vêem mais por aí
Nem as minhas rendas
ou meu decote...
Não trago mais sorrisos de seduzir
Acanho-me de envelhecer
Já não como nem bebo
qualquer coisa
Não desperdiço
gargalhadas e línguas
E linguagem...
Beijos
ainda quero
Mas sumi ensimesmada
Eu dispersei
Dilui...
Tenho quase certeza
que quando te encontrar
É em você que eu
estou.
Como numa canção
A menina perDEU-Se de SI?
Em breve, sem DÓ
um REvival FArá
LÁ no reencontro
com o SOL que há de iluMIná-la...
TonhOliveira
http://6vqcoisa.blogspot.com/
quinta-feira, 22 de abril de 2010
A rainha de mim
imagem do google
A poesia fez colméia em mim desde que eu era garotinha e através de pequenas “operárias”, reproduziu-se em minha anatomia emocional um enxame de regalias para a abelha rainha dos versos.
Menina ainda, já brincava de versejar, rimar e fazer jogos emotivos com palavras. Era assim que tomava conta da rainha solitária e silenciosa que habitava dentro de mim: Poesia.
A “eu menininha”, então, foi crescendo e escrevendo. Escrevia para mim e pela soberana, que reinava absoluta em meu castelo inabalável.
Até que outra nobre aristocrata das artes, começou a cercar sutilmente meu castelo, com suas tropas sedutoras de melodia e ritmos, flertando com a solitária poesia de mim, tentando sorver seus versos... Música...
Eu gostei dela, assim logo de cara. Minha poesia também se encantou. Mas a música, sempre foi cheia de inesperadas exigências e disciplina. Necessitava sempre de intensa e quase exclusiva dedicação e nunca fui de me dedicar muito. Nunca fui bom súdito. Apenas apaixonei-me por seus acordes e por um tempo permiti que ela namorasse seriamente com a poesia habitante de mim.
Compus canções, cantei, ganhei festivais, gravei algumas crias desse caso de amor, ensaiei pequenos sucessos.
Confesso que a música conseguiu espaço em mim sem grandes combates, utilizando-se do encanto das melodias, da harmonia, do ritmo e mais, valendo-se da minha vaidade, que não me orgulho.
A poesia é um evento solitário sem grande estardalhaço. É um exercício pessoal e sagrado. Quase sem aplausos.
Já a música, alicia e atrai não só por si, mas também pelo glamour que carrega consigo, pois que vem sempre acompanhada de celebração. Foi talvez por isso que comecei a cantar canções de outros e joguei na gaveta meus versos que amarelaram.
A abelha rainha extinguiu-se e não se encontrou na colméia, outra larva forte o bastante para substituí-la. As operárias desertaram de mim e eu, enfeitiçada pela música, me deixei sair pelo mundo, cantando versos que não eram meus.
A abelha rainha extinguiu-se e não se encontrou na colméia, outra larva forte o bastante para substituí-la. As operárias desertaram de mim e eu, enfeitiçada pela música, me deixei sair pelo mundo, cantando versos que não eram meus.
De qualquer forma, não me devotei como devia à música, nem corri atrás do sucesso. Foi um namoro sem casamento, sem compromisso, que terminou sem mágoas.
Já não sinto falta de cantar ininterruptamente, como sentia antes. Versos e canções de outros, já não me basta. Já não sinto precisão da música namorando a poesia.
Além do que, a linguagem da música é universal. A melodia que comove aqui, comove em qualquer lugar do mundo, sem precisar de traduções.
Compreendi que poesia e música existem independentemente uma da outra.
Podem ser felizes, uma sem a outra, e até se encontrarem de vez em quando.
Podem ser amigas.
Podem ser felizes, uma sem a outra, e até se encontrarem de vez em quando.
Podem ser amigas.
Voltei então, atrás de mim mesma, tentando desengavetar minhas palavras. Busquei os escritos antigos, que apesar de magoados, foram delicadamente permitindo-me ensaiar versos novamente.
As dificuldades de voltar para casa, me ensinaram que rainhas perecem, mas a essência da nobreza permanece assim como o cheiro e o sabor do mel.
Não haverá rei posto por aqui. Resistirá a dinastia dos versos.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
desconheço o autor da imagem
Desabilito-me do atributo vão
de escrever poemas
O cansaço me desconserta
Tão patética...
Tenho exaurido-me nessa busca
incessante de lirismo
E nessa peleja sem alternativas
quando olho para trás
engulho-me com meus rastros
Meu estômago revira
A cabeça gira
Não quero pernas que não andam
nem olhos que não vêem
nem escudos frágeis
ou canetas sem garras
Não me protejo mais de mim
Não lhes protejo mais de mim
Desengaveto minhas imperfeições
Prefiro menoscabar-me
e assim expor de vez o pior
para não haver enganos
do que sou feita.
Pescaria
Hoje eu sentei no barranco da vida.
Minhas águas corriam lentamente
enquanto a sombra da lua
me refletia futuros incertos.
Fiquei a cevar sentimentos.
Numa noite, lançava dores trituradas e
noutra, farinhas de uma velha paixão.
Vez em quando,um resto
de alegriazinha nostálgica.
É que quando se tem paciência
já não se precisa mais dela.
E eles estavam famintos.
Um ou outro beliscava memórias.
Amaioria abocanhava ilusões.
Acostumados com meus resquícios,
lancei-lhes todo o timbó que me envolvia.
Pouco a pouco começarama boiar.
Era só o começo da pescaria.
Fouad Talal me dedicou esse lindo poema e eu fiquei muito mais colorida.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Reciclagem
http//www.6vqcoisa,blogspot.com
Habita em mim uma fonte
Que brota de não sei onde
e circula-me continuamente
Goteja e repõe-se em si mesma
o ato sagrado de fluir
e ao nutrir-se
inunda-me
Faz o findável de mim
tornar-se alma perene
Manancial eterno
Sem começo
Sem meio
E sem fim...
Rossana Masiero
quinta-feira, 8 de abril de 2010
preguiça
imagem do google
Vou atrás da alegria, ora essa!
Vou voar atrás das borboletas
Vou sem rumo e sem prumo
Vou andar de bicicleta!
Já nem é mais verão
Mas decido que o tempo
deve ser de festa
Pneu furado
mas que desatino
Longo quando eu decidi
Transformar meu destino
E tentar ser destemida
Peça malévola do destino
Bem na hora em que decidi
mudar de vida
Talvez eu ignore a chuva
(Eu não contei?)
Começou a chover
Talvez despreze o contratempo
e tal Don Lockwood
eu possa seguir a pé
Sapateando em poças
Cantando Singin 'in the Rain
Mas a preguiça
já fez a metástase em mim
De carro já perdeu a graça
Já não insisto, desisto
Vou mesmo ficar em casa
E olhar céu azul pela tevê
Imaginar como teria sido
se eu tivesse mesmo querido
brincar de ser feliz.
Assunto:
poema de brincadeira
sábado, 3 de abril de 2010
pó
Sou eu
micro fragmento
desencorpado
incorpóreo
fractal
Ínfima lasca
A poeira do caco
Menor que o átomo
Eu
Passado
Passada
O nó desfeito no tempo
Onde o vento
fez a curva.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Dia da Mentira - Hai Kais
imagem do google
I
Diga-me a mentira gentil
Que me ama louca e eternamente
Hoje é primeiro de abril!
II
Escute agora, meu bem
Eu não sou a mais bonita?
Não precisa olhar pra ninguém
III
Apesar do gosto de fel
Anseio por um tanto de doce
Do seu descaso fiel
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