Like a flower in the breeze - Amanda Cass
Estou começando a achar a vida divertida.
Que o destino não me pregue uma peça ingrata por sentir-me assim.
É uma sensação que só a maturidade traz e isso é impagável.
No frigir dos ovos, estou no lucro.
Tenho decidido olhar minha existência através da janelinha dos meus olhos como se assistisse a uma aprazível comédia.
A despeito das tragédias humanas, que não sou insensível e das minhas próprias tragédias, começo a gostar verdadeiramente de estar viva.
Essa percepção só se tem em dois momentos da vida: quando se é muito jovem, por volta dos vinte anos e só retorna depois dos quarenta. Para alguns demora mais.
Não troco esse sentir por nada. Nem pela juventude!
Trocaria outras coisas, se possível fosse, como um corpo mais rijo e magro, uma pele mais viçosa, e a disposição para divertir-me mais intensamente.
Mas teria que ter algo dispensável para dar em troca, porém não quero me desfazer de nada do que trago comigo agora, que tudo tem importância e nada de mim, nesse momento, é supérfluo.
Sou repleta de paciência, de compaixão e de amor, e não rescindo da minha madureza, meu bem estar e da impagável sensação de liberdade. Liberdade sim!
Liberdade de não ter precisão de ser o que esperam que eu seja, pois definitivamente sou o que me tornei: a somatória do que já fui, as experiências que tive e os sentimentos que conheci.
Prazeres, dores, ansiedades, alegrias, saudades, angústias, expectativas, entre outros sentimentos, construíram a pessoa que sou.
Livre dessa responsabilidade, caminho mais leve e alcancei definitivamente uma alma mais serena.
Um “estar” que não tem quase nada a perder.
Evidente que ainda tenho sonhos e desejos a realizar, mas a grata consciência de que dependem exclusivamente de mim e de mais ninguém, me apazigua a alma.
Posso escolher como estar - a menos que me venha alguma dor incompatível com a delicadeza de viver assim - sem culpas.
Vou andar por aí do jeito que meu humor diário me solicitar.
Irão dizer talvez, que estou começando a ficar excêntrica nos modos, no jeito de ser ou de vestir, mas isso também já não me incomoda.
Não é que é bom?
Ando sem medo do tempo, agora que não transporto mais a sensação de urgência pelas coisas que ainda não fiz. Vem-me a constatação suave de que o que não foi feito, não era para ser, ou ainda será no seu devido tempo.
Talvez, isso seja a tal da “felicidade” que a gente almeja durante toda a vida.
Já não existe a preocupação de insatisfação eterna com a aparência, até porque se compreende que esta é efêmera e o tempo, inexorável.
Acaba por ser um alívio.
Claro está (para mim ao menos), que não vou entregar os pontos facilmente e me deixar enfear muito, enquanto for razoável. Ainda resta um pouquinho de aceitável vaidade.
Uma senhora (de 90 anos) me disse: - Uma mulher tem que ser sempre prestimosa. Eu adorei a palavra “prestimosa”, e ela é um exemplo disso. Apesar de engelhada pelos anos, está sempre perfumada, vestida com apuro, com brincos e outros adornos, mesmo quando está adoentada.
Além do mais, tenho que confessar que meu juízo de “beleza” modificou bastante ao longo dessa minha viagem de existir.
Obviamente, sinto-me assim por estar saudável, por sentir-me segura de quem sou e também porque ainda não cheguei ao ponto de me preocupar excessivamente com o invariável advento da morte.
Esse texto é só uma celebração comigo mesma por estar me sentindo bem e gostaria de compartilhar com todo mundo essa paz de agora, pois sabe-se lá como vou estar me sentindo amanhã...














