quarta-feira, 29 de setembro de 2010
...
Hoje amanheci
antes da manhã
Antecedi o sol
Antecipei o dia
Queria estar
mais cedo que o tempo
E sem sua permissão
no auge do desatino
e asilada do escuro
Descobrir
como alterar
o meu destino.
sábado, 25 de setembro de 2010
Renda
No prelúdiodos detalhesintui-se a rendaÍnfima minúciaque encerrapormenoresde delicadezaDiscretaa beleza desconcertaa composturaE eutão epidérmicaSimplificadamenteexplícitaPermito que todosos meus mistériosEscondam-se assimbem a vista.Rossana Masiero
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
esperança
Imagem do google
O inverno nem chorou
de hesitação
na hora
de ir embora
Despediu-se
cheio de luar
Enquanto
a flor(es)fera
uma “dente-de-leão”
ensolarada
aguarda
para abocanhar
a primavera..
Rossana Masiero
domingo, 19 de setembro de 2010
Xadrez
Imagem do google
Exausta de calcular
próximos movimentos
e conjecturar sobre
quem vai movimentar o tempo
Observo extenuada
o vento
que sem cautela se entrega
ao momento
Plagiarei então o vento
e inconseqüente
me entregarei ao tempo
sublimando atos
Não há mesmo
como antever os fatos
nem prever fracassos
e anteceder transtornos
Prudente mesmo
é abdicar dos sonhos
Sequer ousar
Resignar-se...
Cansei de jogar
com Deus.
Rossana Masiero
*
Rossana Masiero
*
Taiguara: Cantor e compositor "brasileiro", nasceu em Montevidéu durante temporada de shows do pai (bandoneonista e maestro gaucho Ubirajara da Silva), em 9 de outubro de 1945. Fez grande sucesso nas décadas de 60 e 70 com vários clássicos da MPB. Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira. Foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas, o que o levou se auto-exilar na Inglaterra por muitos anos. Faleceu em 1996 de câncer na bexiga, no "ostracismo".
Assunto:
poema e canção
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Solidão
File photo by Jim Peaco
Temos um ninho
um filhote
de passarinho
Mas sempre
voas sozinho
Deixo-me olhar
de longe a vida
Aprisionada
pela ausência
de minhas asas
Amputadas
por minhas
próprias bicadas.
Rossana Masiero
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
(in) Definições
Poemas
Fragmentos
de pensamentos
Lampejos
de sentimentos
afônicos
Ora difusos
Ora lacônicos
Momentos
Que se dependuram
sob o sol
no delicado
varal dos versos.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Inferno particular
rumino rimas e versos
pra engolir a vida
sem indigestão
Busco pela arte
arrancar da arte
a própria história
à essência do existir
Eu, pretenso artista
devoro ávida
a vida
Escrevendo quadros
Compondo desamores
Cantando poemas
Pintando canções
Pintando canções
Eu, pretenso ator
grito textos decorados
Declamo e declamo
a solidão
Meu inferno pessoal
Eu Nem bem nem mau
Artista soi-disant
jamais subestimo
qualquer forma
de expressão.
Gravado às pressas, ofereço essa canção do Gonzaguinha para as "meninas" que visitam esse meu canto, muito especialmente Lara Amaral, Mirze Souza, Wania e Maria Ivone.
Assunto:
poema e canção
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
desencanto
Amanda Cass -you make my heart flutter
Não se iluda
com o lúdico
nem com a música
Que o tempo
não me guarda para você
Ele é súbito
Rápido e último
E meu pânico
é um espetáculo
Sua tática
é pragmática
exígua
falha de ética
Sem ritmo
anêmica
Desprezou a química
da minha paixão
exotérmica
e excêntrica
Sendo cínico
e lânguido
tornou-me pirrônica
deixou minha métrica
esdrúxula.
Assunto:
desapontamento,
poema
domingo, 29 de agosto de 2010
audácia
No âmbito
no âmago
e na ambiguidade
das palavras
não demando apenas
escalas cromáticas
exíguas
Sou demente!
Dê-me uma nota
pois ainda que desafinando
eu canto
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Poemicídio
Cezanne - Mount Sainte-Victoire, 1890-1894, National Gallery of Scotland, Edinburgh
Nas emboscadas que faço
Nas armadilhas que monto
Estou no encalço da inspiração
Epifania
Procuro um mote glorioso
que faça-se em mim
o poeta
Que me traga o esplêndido
e definitivo verso
Campeio as planícies
Campeio as planícies
Desvendo planaltos
Esquadrinho vales
montes e escarpas
Mergulho em mares
ajoelho em altares
Estou atrás
da poesia
Não dou um pio
para não afugentá-la
nem nada...
Quero a explosão
orgástica
e suicida
Quero cometer um poema
capital.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Provocação
imagem livre do google
Se o que sinto
nem é amor
Mistifório
de desafeto
e desejo
No ensejo do rancor
No auge da insensatez
Desafio-te
a me fazer querer-te
outra vez.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
muito simples...
Gustavo Rosa - Série banhistas
Abandono-me ao seu lado
que seu instinto sem censura
me salva do meu embaraço em viver.
Resgata-me sempre no último instante
de penhascos de onde por um triz
não desmorono.
Guardião atroz que me traga
do meu particular inferno
e me atira no seu.
Assim faz com que eu tenha que lutar por mim
[como eu jamais lutaria sem ser impelida]
Arranca-me do confortável sofrimento
que constantemente me imponho.
E desmitifica-me
Caçoa de mim
Até que atônita e exausta
eu aceite que tudo é mesmo
muito simples...
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
SEM PIEDADE
De coração perplexo
Cansei de articular
complexos anseios
que já nem me interessam
Salvo engano nem sou poeta
Não sou apoio
Nem estaca, nem espeque
Não vejo o tempo
nem sei a hora
Não tenho escadas ou escora
Não sinto nada
Afeição ignorada
Reconheço-me na aflitude
[amplitude da aflição]
Entre acometimentos
parcos de sentimentalismos
escolho o lado mais tênue do nada
onde a neblina diverte-se
em me enfurecer
pela dor de me saber anódino
Irrito-me por estar inábil
E avisto a poesia por detrás das sombras
que se ri de mim
sem piedade.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Desertada
sandstorm-sahara
A tristeza
corre atrás de mim
Persegue-me
E nada do que eu faça
surte efeito
Nem a fuga
nem o enfrentamento
Não existe alento
A tristeza desertifica-me
Captura e resseca
minha poesia
Volatiliza
Vira poeira e ventania
A alegria
desertou de mim
Já não posso cantar
Já não consigo
Sem música
e sem poemas
converti-me num esplêndido
rancho baldio
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Saudade
Matisse
Mesmo quando longe
Mesmo quando ausente
Mesmo quando e sempreinexistente
Sua parecença diáfana
Sua transparência
perpetua a sensação
de que transporto um fantasma
E que me possuído
não admite
fazer-me aparição
E mesmo de longe
Mesmo ausente
Mesmo que absolutamente
intangível
Assombra e assoma
por hora e eternamente
A abstraída lembrança
da sua percepção.
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