segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Imagem livre do google

Pensando demais no não estar. Eu ando assim. Pensando.

Na insuficiência de estar viva e na inexplicável razão da existência. Resistência.
Desalentada de tudo, eu ando. Desmesuradamente sem quereres e sem vontades. Desalento.

Quase querendo que o mundo acabe, que tudo acabe. Quase. E com ganas de me morrer em algum estado de desfazer, diluída de tanto que a alegria se ausentou em mim e de todas as coisas que fugiram junto. Enquanto a tristeza sentiu-se em casa, com endereço fixo e tudo. Tristeza em mim.

Paralisada num tempo que se fixa num “beco” entre o tempo da sabedoria e da insensatez, estou e não estou. E não me movimento para lugar nenhum. No aguardo de nada e sem seivas, não almejo. Tão sem vontade... Tão.

Antes, ainda extraia algum prazer da melancolia. Carregava um mórbido “gostar” da tristeza, que entremeava com meus anseios que já hoje me abandonaram. Tudo me tem abandonado. Abandonada.

A diva de mim encarquilhou e a menina de mim está paraplégica. Até o drama pretensioso, que me fazia, de certa forma, intensa, estanquiu-se. Se antes a alternância de sentires, me dava ao menos a possibilidade de momentos distintos, hoje oscilo numa temperatura entre o frio e o mais ou menos frio. Arraigado em mim. O frio.

Divido-me entre o esforço levantar-me para viver e a vontade de deixar para lá. Nem viver. Nem.

Contudo, é necessário se querer viver. É fundamental. Vital? 

Uma família eu tenho. Uma mãe e amigos. Tenho. E um lar para cuidar. Um trabalho eu também tenho. E roupas e alimentos. E gente que precisa de mim.
Só não tenho o experimento de estar viva. Sem gosto, apenas levanto-me todos os dias, e lá vou eu. Por precisão. Eu tenho.

Não que importa se eu gosto ou não do meu trabalho, se eu amo ou não minha família. Não é isso... Apenas que nada mais me arrebata nessa vida. Nada.

Sem motivação e sem encantamentos, nem sinto alegrias em lugar nenhum. Alegrias. Nem pequenas, nem grandes. Não me recordo mais de como era. Alegria.

Tento exercitar pensamentos bons, pois que por instinto de sobrevivência, eu busco sair desse Purgatório. Pensamentos...

Até a ilusão se foi, e sinto-me amarrada a um presente sem futuro, perpetuado numa mesmice envelhecida e desesperadoramente solitária.

A minha falta de vontade é tão, mas tão enorme que quase que se transforma em não estar. Tanto faz. Tudo tanto faz. Tão tanto faz...

Não me encontro em mim. Não estou em lugar nenhum aqui dentro.

Acho que roubaram minha alma.

Que coisa esquisita me tornei. O oposto de um fantasma.

Um corpo sem alma.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Oba! Dia de presentes!

Olha eu na caricatura de Eduardo P.L  http://vtmadaquinta.blogspot.com

Eu adorei!

Recebi um selo do querido Eraldo - http://eraldopaulino.blogspot.com/


Gestos amáveis, que fizeram meu dia muito mais feliz!
Obrigada!

domingo, 14 de novembro de 2010

Tesouro




Tanto sou aturdida
quanto ingrata
Temo a palavra
de prata
a que recorro
Peço socorro
Recuo inerme
Sucumbo à dor
iminente
de exprimir-me
Ponho-me a suplicar
com plena noção
do que perco:
- Deus
dá me o ouro
do silêncio.
Cala minha alma.

Diamantes e pérolas que se acrescem ao tesouro:

Pois não se apegue à pratas nem a ouros
Desejos mouros
Deixa que sua alma, nua
Flua ...
E encontrará seus tesouros.
Flávio Ferrari


Como fiquei embaixo dos amores 
fico também com o diabo 
que paga em prata e a vista 
os nossos versos pecadores!
Fouad Talal

E quão mais a alma cala,
mais fala - que o silêncio
não é ausência de dor,
mas excesso de amar...
Jorge stark 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Constatação



A primavera
me desperta uma saudade
do que eu nem [h]era.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Resto



Não houvera antes
desejos viajantes
Quando os meus versos
eram todos para ti
Incide que hoje
ando desmantelada  
e faltosa de lirismo
Resta-me anódinos
e humanos anseios
disparatados
e fragmentados
Houvera antes um poeta
Resta hoje
fantasmas
da poesia de mim.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

K




Sabe Akira?
Aki agora
só me kura
um outro sonho
Kuriosa
e Kurosawamente
pressuponho
kom urgência
de ser feliz
Uma imergência
Indo fund O°o!
Num desenho
do tonhO...

"Submersão" pessoal, com bóia e Arte do querido e talentosíssimo TonhO.



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

o melhor dos presentes


A tecnologia 3G nem sempre é perfeita e com a Internet problemática, fico impedida de visitar todos os poetas, cronistas e blogueiros em geral (que sigo e amo), com a frequência que gostaria.
Entre um ‘apagão’ e outro, vou fazendo o possível para intercalar minhas visitas.
Enquanto isso, estou lendo com muito, muito prazer, o livro “Maria clara - uniVersos femininos”.
É mesmo uma enorme emoção ver um sonho virtual tornar-se realidade palpável, e ler amigas queridas, eternizadas no charme de um livro de verdade.
Eu agradeço a minha amada Mirse que me presenteou generosamente com um exemplar.
Estou adorando cada poema!
Parabéns, meninas!

sábado, 23 de outubro de 2010

da primavera


Na hera repleta
de insetos
sem compostura
No jardim
de margaridas
sem pudor
No pomar
de frutas
sumarentas
e maduras
Dezenas de pássaros
sem decoro
a despeito de minha
melancolia
Festejam a vida
Canoros

Rossana Masiero

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A MÁGICA

UM PRESENTE E UM DESAFIO


De fato despejo pitadas
de palavras no caldeirão
Com tato manuseio
com caneta de condão
Meu gato observa a alquimia
da minha alma que quer o poder
de transformar tudo em poesia.


Não sou lá de seguir regras, e se recebo um mimo como esse, me alegro e guardo com carinho, com pudor de repassar.
Entretanto, como adoro desafios, e este selo é presente da minha amiga querida e poeta Mirse Souza, tentarei seguir os protocolos, desafiar e homenagear blogueiros amigos e talentosos que me encantam
Abaixo, alguns dos espaços mágicos:

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com/ - Solange Maia
http://azultemporario.blogspot.com/ - Marcantonio
http://semcatraca.blogspot.com/ - Geraldo de Barros
http://mileumpoemas.blogspot.com/ - Assis Freitas
http://tremdalira.blogspot.com/ - Cris de Souza
http://vanessacamposrocha.blogspot.com/ - Vanessa Campos Rocha

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Da insignificância




O núcleo do átomo
Fóton
Quantum
O íon do mundo
Sou funda
no fundo
de mim
Partícula
de história
Espectro
Sou ínfimo em movimento
Sou vento atônito
permanecido
O que passou
foi o tempo...


Rossana Masiero

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

favo

imagem do google

Ganhei um favo de mel
Foi um anjo que me deu
Veio-me então a idéia
Que se pudesse ser estocado
o amor se guardaria
em recipiente sextavado
onde nada é desperdiçado.
E se juntado a outros
o amor vira colméia

Infinitamente

Rossana Masiero

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O dia da criança de mim...


Não é que eu não quero que você cresça minha filha! Nem desejo que fique criança para sempre. Eu gosto de você assim do jeitinho que é e com a idade que tem agora, do alto dos seus treze anos a me olhar com esses olhos carregados de lápis de olho e rímel pretos.

Eu tenho mesmo é saudade de mim no tempo em que você era criança. Eu tenho saudade de como eu era poderosa aos seus olhos e aos meus.

Eu podia fazer mágica! Eu era a Miss “M”. A Super-mamãe!

Transformava tudo num evento fantástico e você vibrava!

Até uma simples paisagem da janela do carro era um maravilhoso acontecimento: - Olha a vaquinha, filhinha! E você olhava como se eu tive acabado de inventar uma vaca de verdade só para você.

Às vezes, eu sentia que você achava que eu não tinha feito um bom trabalho, pois nos desenhos dos seus livros elas eram muito mais graciosas. Ainda assim (generosa), me perdoava por eu não ter posto cílios longos na vaca (já que ela era menina), nem laços no seu rabo ou flores na suas orelhas.

Eu podia passar pelas portas com sensores e dizer “Abre te sésamo” e você encantada me olhava com olhinhos de admiração como se eu fosse a mulher maravilha, enquanto passávamos sem sequer tocarmos na porta.

Claro que você iria testar para ver se funcionava só com você muitas vezes, enquanto eu ficaria esperando você avaliar seu novo poder que eu tinha lhe delegado.

É disso que eu tenho saudade minha filha, porque eu me encantava junto. Eu quase acreditava que era mesmo uma heroína, capaz de prover seus mais maravilhosos desejos como fazer a voz do Ursinho Pooh e de toda a sua turma, desde o choroso leitão, o inteligente Abel, o triste Bisonho e o maluquinho do Tigrão. E eles conversavam com você por noites a fio, e você se sentia incluída no mundo mágico das historinhas.

Eu poderia ser até chamada pelos Estúdios do Maurício de Souza para dublar a Mônica, a Magali, o Cebolinha e toda a turma. Fiquei especialista!

Lembra quando você quase viu o trenó do papai Noel no céu? Ou será que não viu? Até hoje você não tem certeza se foi real.

E sua felicidade, enquanto seguia as pegadas do coelhinho da páscoa (de guache branco ou maisena no piso de madeira da sala), que eu fazia só para ver seus olhinhos espantados e alegremente inquietos.

Deixava rastros de palha e ovinhos de chocolate, até chegar ao grande local: um maravilhoso ninho de enormes ovos de chocolate! Você pouco ligava para o chocolate, queria mesmo os brinquedos que vinham dentro dos ovos.

Algumas pessoas (avós, tios, padrinhos), estragavam o suspense, pois traziam ovos de chocolate de presentes e entregavam na sua mão.

-Porque o coelho não veio?

Tenho saudade, pois quando você era criança, tornei-me criança também e agora sinto uma falta danada de assistir com você os mesmos filmes dezenas de vezes, até que seu emocional conseguisse se organizar e então você nos permitisse ver outro.

Sei que o tempo não para, e quem sabe um dia, volto a exercitar esse prazer com netinhos. Que demore muito a acontecer, pois você ainda é muito jovem, a despeito da minha necessidade de brincar.

Por isso, hoje eu acho que vou a um parquinho, me sentar num balanço e balançar bem alto...

- Não minha filha, não precisa vir comigo. Não quero que pague esse “mico”.

Feliz dia das crianças!

Rossana Masiero

domingo, 10 de outubro de 2010

Livro

Imagem do google

Minha estante
Precipício
de instantes
Principio
Leitura
Leitora
seduzida
Avulsa
História
Alinhavos
com agulhas
de viajar
por dentro
da bainha
da alma
Fagulhas
de habitar
a vida
O tempo
mantém-se
adormecido
e suspenso
O livro.

Rossana Masiero

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cismando...

Guiomar (minha linda) pensando...


Comoção é uma emoção
que de tão comovida
compromete o sentido da vida?


Não sei bem se é legal
“Deletar” uma pessoa
é assassinato virtual?


A vida inteira só fiz te pertencer
Mas que adianta ser tua
se não existe “você”?


Poetas que se contém
nas palavras e sentimentos
adquirem outras incontinências?

sábado, 2 de outubro de 2010

co[R]ação

 Pablo Picasso, Femme écrivant


Padeço de “poetasia”
uma moléstia congênita
Assemelhada à “lirismo-apatia”
Dolorida essa danada
Um  abscesso que se aloja
entre o cérebro e o coração
[mais precisamente no timo]
onde agora comprimo com as mãos
De sintomas perversos e urgentes
Impelem-me a escrever versos
repentinamente
Mesmo sem mote ou sem musa
a despeito da minha precisão
Pulsa e lateja
e some o ar
Escrevo então por temor
Para ver se me redimo
para não perder o fio
e para poder respirar
Com fé que essa dor pare
assim me espremo
assim me exprimo.

Coação
Oração
Coração

 
Rossana Masiero