quarta-feira, 29 de junho de 2011

Festa

Aliette

Careço antecipar
a inauguração da primavera
Preciso de borboletas
Muitas
Que estas motivam
e acendem mais cedo a luz do sol
Chamarizes coloridos para alegria
Quero o dia na íntegra
Manhãs
tardes e noites
E madrugadas...
Mormente eu quero
o mapa que me leve direto
à fonte da alegria
Quero acarinhar pezinhos de bebês
e filhotes de gatinhos
que fazem-me sorrir sem motivo
E vou sair para beber ventanias
mornas
e brindar com meu corpo
Abraços
É bom que se acrescente passarinhos
dos bem coloridos e barulhentos
Só faltam as flores e pessoas de verdade.
em encontros de verdade
para aplacar minha urgência
de verão.

domingo, 26 de junho de 2011

solitude

Briony Marshall


Careço abundante
e presentemente
de franca amorosidade
e abraços benévolos  
de empatia
De indulto generoso
da poesia
E se possível
uma cantiga para acalentar
meus monstros
e distrair
meus olhos  vermelhos...


.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CELEBRAÇÕES




Em tempos de homenagens, vale a pena participar da festa que a Cris preparou para o artista e aniversariante Marcantonio. Também fui convidada acabei cantando um pouquinho. Honradíssima.


Além disso, o querido Eraldo me fez um carinho maravilhoso e postou um poema meu em seu blog que (segundo ele), eu fiz para ele antes de conhecê-lo. Creio que é verdade, pois que essa vida é mesmo surpreendente. Eu fiquei toda prosa e cantei também. 


Feliz ♪

terça-feira, 21 de junho de 2011

meio tom



De todas as matizes
do universo
Diluída que sou
serei sempre
algum
quaternário
tom de verde...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Meu tempo

TizianoVecellio - Mary Magdalene


Sou eu de um tempo
que nem me lembro
Da véspera da gentileza
Anterior ao antes
Sou o ontem
das noites sombrias
e de séculos mal passados
Clássica hedonista
renascida da renascença
e abarrocada de lirismos
e contrastes
Equilíbrios de exageros
Interpretações
Intempéries
Sou estilhaços de augúrios
e presságios obscuros
de relentos e desabrigos
Arredondada
em bordas contorcidas
tecida de espetaculares
remendos
E meu perfume
antecede as alfazemas
as rosas e jasmins
Tão antiga sou...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

escapulindo...

Nicola Novotny

Com um dos pés
sempre para fora
Estou sempre
quase indo embora
Estou quase
sempre de partida
Muito embora
eu fique por ter
um deles plantado
Quanto mais fundo
me crescem as raízes
Mais volátil e dispersa
eu me comporto
nesse mundo
E mais camaleônica
tornam-se minhas
matizes.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quebranto

Erin Petson

Quem há
de me desenfeitiçar
e  soprar
nos meus ouvidos
palavras e sortilégios?
Quem me benzerá
 ao nascer do dia
e quebrará
o encanto
que de mim
se apropriou?

_♥_

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Diva

Ave, Ava!

Seguro firme
o fio do ego
Não nego
Há de me retornar
a percepção
Já não quero interpretar
papéis pequenos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Festival da Mantiqueira 2011

Meus amigos, estarei ausente dias 27, 28 e 29 de maio.
Trabalharei no "Festival da Mantiqueira" em São Francisco Xavier.
Lá a internet não é das melhores, mas olhando bem essa paisagem, quem liga para isso?
Convido aos que estiverem por perto, para conhecer o lugar que é muito charmoso e belíssimo, além do evento ser muito interessante.

A Fundação Cultural Cassiano Ricardo contará com uma tenda no local, divulgando os autores locais, e meu livro "101 Poemas" também será vendido no local.

São Francisco Xavier - Distrito de São José dos Campos - SP - Área de Proteção Ambiental

27/5/2011
FESTIVAL DA MANTIQUEIRA 2011 EM SÃO FRANCISCO XAVIER

São José dos Campos recebe escritores no distrito de São Francisco Xavier

Festival da Mantiqueira 2011
O Festival acontece 27, 28 e 29 de maio e tem como objetivo divulgar autores e obras e estimular a criação literária. O belíssimo distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos (138 km de São Paulo), recebe escritores em processo de criação e outros, às vésperas de lançamentos, de 27 a 29 de maio (sexta a domingo), durante o Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura. O Festival, que chega à quarta edição, faz parte de uma série de eventos criados pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com o objetivo de divulgar autores e obras, formar público e estimular a criação literária.

Toda a programação é gratuita.

Data: 27, 28 e 29/05 (sexta, sábado e domingo)

Local: Praça Cônego Antonio Manzi, centro de São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (138 km de São Paulo e 59 km de São José dos Campos).

Capacidade das tendas: - Principal: 500 lugares - Estudantes: 300 lugares - Photozofia Arte & Cozinha: 100 lugares (Lgo. São Sebastião, 105, Centro. Tel. 12 3926-1406 Ingressos: gratuitos (retirar senha para as mesas, atividades infantis e shows uma hora antes do início das atividades na bilheteria do evento, na praça principal)

Como chegar: De São Paulo, siga para São José dos Campos pela Via Dutra BR-116 ou pela Rodovia Carvalho Pinto SP-70. De São José dos Campos, o principal acesso é pela SP-50, estrada velha de Campos do Jordão, até chegar à cidade de Monteiro Lobato. Siga pela SJC-150, Estrada Vereador Pedro David até São Francisco Xavier.

Uma linha especial de ônibus de São José dos Campos a São Francisco Xavier vai levar o público visitante ao evento. Saídas de hora em hora, do Parque da Cidade Roberto Burle Marx - Av. Olívo Gomes, nº 100, bairro Santana.

Onde se hospedar e opções de passeios: www.sjc.sp.gov.br, no canal “turista”



Programação completa

Sexta - 27 de maio 17 - Oficinas para estudantes e professores e bibliotecários: com Elizabeth Ziani, Nelson de Oliveira e Maria Imaculada Sampaio
EMEF Profª Mercedes Rachid Edwards e Espaço Cultural Sebastião Batista


20 - Abertura Show Duo Siqueira Lima
Tenda principal


23h - Stand-up La Putanesca, baixarias de alto nível..., com Angela Dip
Photozofia


Sábado - 28 de maio 9h - Oficinas para estudantes, professores e bibliotecários: com Elizabeth Ziani, Nelson de Oliveira e Maria Imaculada Sampaio
EMEF Profª Mercedes Rachid Edwards e Espaço Cultural Sebastião Batista


11h - Falando de livros: Luiz Ruffato e Sérgio Sant’Anna
Tenda principal 11h30 - Ilan Brenman Tenda dos estudantes


12h - Atividade infantil: Contos de Fadas, com Kátia Canton
Biblioteca Solidária


13h - Orquestrinha São Xico
Coreto


14h - Atividade infantil: Livro Mágico, com Roberto Rocha Pombo
Biblioteca Solidária


15h - Conversando com Federico Andahazi
Tenda principal


15h30 - Regina Zilberman
Tenda dos estudantes


17h30 - Machos, Machistas, Fêmeas, Feministas: com Márcia Tiburi e Xico Sá
Tenda principal


18h - Ivan Angelo
Tenda dos estudantes


19h - Anúncio dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2011
Tenda principal


20h30 - Canto Livro
Photozofia


22h - Show Lobão Elétrico
Palco principal


Domingo - 29 de maio - 9h - Oficinas para estudantes, professores e bibliotecários: com Elizabeth Ziani, Nelson de Oliveira e Maria Imaculada Sampaio
EMEF Profª Mercedes Rachid Edwards e Espaço Cultural Sebastião Batista


10h - Orquestra Sinfônica de São José dos Campos
Palco principal


11h - Metrópoles e seus Personagens: Ignácio de Loyola Brandão e Márcio Souza
Tenda principal


11h30 - Marcelo Carneiro da Cunha
Tenda dos estudantes


12h - Atividade infantil: Oficina de Rimas, com José Santos e Jonas de Matos
Biblioteca Solidária


14h - Conversando com Lobão
Tenda principal







terça-feira, 24 de maio de 2011

dos escuros

Duy Huynh

Espia só meu vazio
Veja minha alma
esquiva e fugidia
Perceba bem
como ando oca
em meu íntimo
semeado
por ventanias
Acolho e acalanto
tempestades
Já que sou sítio vago
de palavras  
Minha lavoura
anda estéril
de lirismos
Grandes silêncios
engolem minha boca
E a escuridão
caia meu dia
de sombras...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

da vontade de viver

            Jequitibá rosa - SJCampos

            Tentando arrancar da alma, a aflição, sou poço fundo de angústias como se houvera dentro do meu peito uma mão que aperta o timo, eu escrevo.
            Tenho um coração ardido de urgências que não defino, cuja única poesia é não querer viver de vésperas e o passado, que tentou imiscuir-se no meu presente foi escorraçado pela desesperança e levado de volta ao seu tempo, no começo de mim.
            Minhas memórias falseavam, já que memórias são mentirosas. Então desertei delas.
            Com a memória é assim, e também com a verdade.
            Nenhuma delas é absoluta.
            As minhas verdades são apenas minhas, assim como minhas lembranças (que resolvi abdicar), sendo que a partir de hoje meu passado habita seu devido lugar.
            E no presente do indicativo, que é apenas um tempo verbal que define o meu agora, preciso apenas conseguir domar a fera que me reside e me corrói, de forma tal que me desafia encontrar sentido na vida.
             Preciso reencontrar a vontade de viver, e vontade de viver não se compra em farmácias, bares, lojas de sapatos ou em lugar nenhum que eu tenha conhecimento.
                Vontade é um querer bem forte, mas é coisa impalpável, assim como o amor.
               Não se obriga o amor e não se mata o amor.
            O amor brota aleatoriamente, num canteiro inesperado dentro da alma das pessoas. É um estabelecer-se sem domínio, sem domesticidade, sem prisão. Não há que se amarrar ou libertar o amor. Ele é por si só o que é.
               E acontece exatamente assim com a vontade de viver.
            Resta semear e ter uma esperança muito grande (que se chama fé), que a semente vingue. Regar ajuda...
             Germinar ou não é obra do acaso ou de uma força alheia a nossa compreensão.
          A despeito da minha insuficiência de vontade, ainda percebo a grandeza e a beleza de estar viva. Percebo a benção em poder me levantar, respirar, seguir a vida, e a vida em si é uma dádiva. Eu bem sei.
            Mas quem há de curar-me esse sentimento desnecessário de aflitudes e descasos que carrego do meu lado de dentro? O que será que me falta para que esse desgosto ingrato deixe meu peito em paz?            
            Não é melancolia, nem é tristeza. Já até pensei que fosse, mas não é.
            Não, não é, depressão, nem doença, nem dor física.
            Não é nada compreensivelmente traduzido por inclemências sensatas e analíticas.
            É só uma desmesurada ausência de esperança. É um buraco negro que anda a engolir-me os sonhos, as expectativa, e a fé.
            Ai a fé...
                  Essa força misteriosa que habita as almas mais felizes ou resignadas.
            Hoje eu estou que é um desencanto só, e por falar em desencanto, nem minha voz é a mesma, nem meu canto... Daí meus olhos se entristecem ainda mais ao ver minha figura assim tão fragilmente acuada.
                E meu coração... 
              Está este tão cansado de andar por aqui há tanto tempo, que tenho a sensação de ser secular, como o Jequitibá rosa solitário que resiste corajosamente pela metade no horizonte da minha cidade.
               Resta-me ao menos o indiscutível prazer de escrever.
             Fazer poemas me mantém viva e por isso, não me importa caso meus versos sejam anódinos, e por ser questão de sobrevivência, continuo.
            Escrevo, escrevo e escrevo, numa desesperada tentativa de desopilar o peito, de lavar a alma, de aniquilar essa dor que não passa e a despeito dessa imensidão de ausências que me habita, a poesia ainda me alimenta.
            Viver é uma ciência, mas querer viver é a verdadeira arte.
           

terça-feira, 10 de maio de 2011

Rota de mim


Escher


Nem advertência
nem ameaça

Não é expectativa
nem sequer condição

Mera dica
Simples constatação

Na incongruência
de meus ocos dias

[a despeito da minha solidão]

Só se chega à mim
pela poesia

sexta-feira, 6 de maio de 2011

poema perverso



Que poema perverso
esse 
que se nega
e negocia com o diabo
remissão
Rende-se 
réu confesso
o cínico
E nem de coitado 
se faz
Só quer absolvição
o abjeto
para voltar a
a pecar
em paz.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Oração para esconjurar esperanças

Modigliani - Nancy

Que não esperem
nada de mim
que eu não dou conta
Mais que tendência
tenho eu
uma vasta experiência
[e mórbida obsessão]
em aniquilar expectativas
Minha inconstância
é matemática
De progressão
sintomática
e quilométrica
Excedida apenas pela
minhas próprias
decepções.


Meu amigo Wesley inspirado nesse meu poema, escreveu outro ainda mais bonito que compartilho aqui nesse cantinho. Fiquei tão contente...

O Santo certo


Minhas mãos juntas em oração
Desorientadas estão
Porque não conseguem, desconectadas
Encontrar o santo certo
Que está cuidando de perto
Da minha situação!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

de[s]caminho


Adestrei-me a chorar
discretamente
De fora para dentro
é que minhas
lágrimas vertem
Desapontada de desacertos
os poemas são todos vãos
e minha aflição
é só minha
Logo eu
que esquadrinhava magia
em tudo o que tocava
perdi a convicção
E
a descrença
as falácias
e todas as máscaras
que eu tinha
Elas eram só disfarce
para as dores que eu sentia
entre meus olhos e através
E o tanto de assombro
bem acima do meu ombro
se consolida
pelo rastro dos meus
insensatos pés.