sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Receita para setembro


Chris Chun

Pegue alguns passarinhos
de todos os tamanhos
Escolha os bem ruidosos
e junte às borboletas
Mas não guarde
nem faça nada
Pegue sem segurar
capture com o olhar
Separe umas formiguinhas
e abelhas pequenininhas
Adquira piados
coaxos e zunidos
Ouça de olhos fechados
e alma escancarada
Despeje alguns sorrisos
Uma ou outra gargalhada
Aqueça o sol por primazia
até dourar o coração
Assopre uma brisa fresca
e reserve muitas cores
[despreze o gris]
Salpique pétalas de flores
e espera...
Já já está pronta
a primavera...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Contradança

A.Brito – Bailado
http://paulo-intemporal.blogspot.com


Não quero mais dançar
conforme a música
a mesma e repetida melodia
Errarei de propósito
cada passo
Perderei por querer
a conta dos compassos
Vou corromper a coreografia
Vou alterar o ritmo
Vou trocar de par.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pensando em Manoel de Barros

Simplesmente

Frank Gonzales

Só quero morder mangas maduras
e deixar escorrer o sumo mundo abaixo
ababalhar pelos cantos da boca sorridente
E na pequeninice das simplicidades
andarolar cantigas de caminheiro
Assear as mãos em rio barrento
esmagando as gramíneas das veredas
com pés bailarinos e descalçados
[Só quero recordar como era ser
antes de crescer e crescerem
os medos e os pusilânimes segredos]
Quero ir sem precisar de epifonemas
ou de indiscrições malfadadas
rir com inenarrável possança
e andar de mãos dadas
com quimeras coloridas
Especialmente no que diz respeito
aos os avoadeiros passarinhos
e as florideiras borboletas
no volitamento das belezuras
Só quero lembrar
como é ser feliz.
(Rossana Masiero)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Poesia faminta

Dara Engler

O poema esfomeado
eu rabisco
com faca
E o garfo
espeta o ermo
o intragável
vazio
Ô fome
que eu tenho de tudo
Apetite de comer
o mundo
de entornar aspectos
e escrever poesia
até me danar...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pés pelas mãos


Sem vocação
para o silêncio
queria desvendar
silenciosamente
as indignações
Mas
palradora que sou
Não tomo jeito
nem água com açúcar
Não me calo
E nem enigma
nem explícita
Minha língua
é ferroadas
de marimbondos
que não dou conta de
apaziguar
E incrédula
e atônita
fico a contemplar
os estragos.


Recebi do Tonh0 Oliveira esse poema fantástico.
Adorei e compartilho. 

Outro dia
de tanto andar
construí calos nas mãos.
Não pude acarinhar meus afetos
pois estava de sapatos...

Uso meias para aquecer minhas mãos,
luvas de lã aquecem meus pés!

"No vôlei
bato a saque com o pé.
No futebol bato o pênalti
com as mãos."

Ambidestro não me amestro.
Entre palavras e tapas
pontapés "de letra",
vou jogando pra escanteio
amigos do meio.

Sou feio.

"Sou um vendaval no PUZZLE da rotina.
Sou a farofa na boca do ansioso.

domingo, 14 de agosto de 2011

Era dia



Nem setembro
Nem dezembro
Se bem me lembro
desgosto mesmo
de agosto
Tenho dez anos de saudade
Que até já era tempo
de parar de me lograr
De fingir que ainda está
[lá em casa, quero dizer]
Atento ao portão
com o eterno
cigarro nas mãos
esperando-me chegar
Hoje
pai
era dia
e confesso
que até queria
ir ter com você
Mas essa vida anda corrida
e qualquer hora eu passo
para lhe dar um abraço
Outra hora a gente se
vê...

Hoje, 14 de agosto de 2011, dia dos pais, faz dez anos que meu pai se foi. Muitas saudades...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Chorumelas

imagem do google

A despeito
do que eu faça
Algo em mim
rechaça e afasta
o que persigo
e almejo comigo
Algo em mim
não tem rédea
não ata
não cria vínculo
não dá liga
Deve ser o querubim
antipático
e empedernido
que me reside
a causa da repulsa
que me expulsa
das tribos
dos grupos
dos bandos
E sem amigos
sem eira nem beira
que me ampare
das intempéries
Ando sem forças
para estar...
vivo?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Por amor

Foto de Jorge Stark Filho


Eu me afasto
para poupá-lo de mim
[e do meu entendimento
equivocado]
E por que já está ficando
tarde
tão tarde
que ainda pode dar tempo
Eu me afasto
de tanto que temo
as madrugadas
sombrias e solitárias
e olhos vermelhos
vertendo poesia
E por precaução
eu acalento as noites
com soníferos
Pois só quero que a vida passe logo
sem que eu me dê conta
Eu me afasto
para preservá-lo
de assistir os dias
transformando-me
num pôr-do-sol
desbotado
e sem plural.

sábado, 30 de julho de 2011

Para distinguir fingidores


Releve o sono leve dos meus demônios
Para que eu revele minhas veleidades
Exorcize de vez dispensáveis pudores
e exponha logo do que sou feita
Sequestre o resto do meu bom senso
Minimize o que tenho de melhor
e desvende de vez meus segredos
Dirima as dúvidas
para que não pairem equívocos
E quando me encontrarem
sem a máscara
me reconheçam
Esta sou eu.

sábado, 23 de julho de 2011

inteiros

Macha Kurbatova


Sei que sou
meio 
previsível
meio 
explícita
meio 
simplória
meio 
inocente

Mas 
minhas outras metades
não são.














                                                                                                                                                                  

sábado, 16 de julho de 2011

À fórceps


Urge fazer
poema
Qualquer poema
ainda
que seja este
esmigalhado
Arrancado das vísceras
Estropiado
Intra-uterino
Intestino
Sem lirismo
e sem doçura
Insensato
Semiacerbo
Intragável
poema
Extraído a força
por garras
que arranham
na mais profunda
das entranhas
Trazido esfarelado
redutível
Incomodado
Que se reinventa
ao nascer sem
rosto
Na sobrevida
de um parto
sem clemência.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sem estro



Ai

Adélia
você já sabia
que não adianta queijo
se não tenho fome
ou  qualquer desejo
Não há nome
ou codinome malfazejo
Sou só eu
que dispensei a faca
Declinei de abraços
e de beijos
E já não versejo
embora haja rimas
E aproveito o ensejo
para contar-lhe
repleta de pejo
Que Deus
anda a castigar-me
pois só vejo pedra
onde pedra
há.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Festa

Aliette

Careço antecipar
a inauguração da primavera
Preciso de borboletas
Muitas
Que estas motivam
e acendem mais cedo a luz do sol
Chamarizes coloridos para alegria
Quero o dia na íntegra
Manhãs
tardes e noites
E madrugadas...
Mormente eu quero
o mapa que me leve direto
à fonte da alegria
Quero acarinhar pezinhos de bebês
e filhotes de gatinhos
que fazem-me sorrir sem motivo
E vou sair para beber ventanias
mornas
e brindar com meu corpo
Abraços
É bom que se acrescente passarinhos
dos bem coloridos e barulhentos
Só faltam as flores e pessoas de verdade.
em encontros de verdade
para aplacar minha urgência
de verão.

domingo, 26 de junho de 2011

solitude

Briony Marshall


Careço abundante
e presentemente
de franca amorosidade
e abraços benévolos  
de empatia
De indulto generoso
da poesia
E se possível
uma cantiga para acalentar
meus monstros
e distrair
meus olhos  vermelhos...


.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CELEBRAÇÕES




Em tempos de homenagens, vale a pena participar da festa que a Cris preparou para o artista e aniversariante Marcantonio. Também fui convidada acabei cantando um pouquinho. Honradíssima.


Além disso, o querido Eraldo me fez um carinho maravilhoso e postou um poema meu em seu blog que (segundo ele), eu fiz para ele antes de conhecê-lo. Creio que é verdade, pois que essa vida é mesmo surpreendente. Eu fiquei toda prosa e cantei também. 


Feliz ♪