Batom e poesias
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Tempo
imagem do google
Senhor de dias
e eras errantes
Soberano
de séculos
e de instantes
e majestade
de nossa
imensa
vulnerabilidade
Indubitável
nos impõe
a inevitabilidade
sem alternativas
sem chances
de fazer acordos.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Explorando...
Pavel Mirchuk
Cavouco-me as entranhas
e meus estranhos fragmentos
Garimpo reminiscências
e não são rimas que busco
No encalço
do poema essência
O poema derradeiro
que há de apaziguar
meu corpo inteiro
abrangendo o timo
e incluindo o coração
Mas por conta das lacunas
das cavidades
e das ausências
da falta de senhas
e da incompetência
embrenho-me sem bússolas
e sem garantia
Perdi-me nos enigmas
e labirintos de mim.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Vazios
Dayanita Singh
Há certa
tristeza no ar
Um certo
desgosto a me afligir
Esquivo-me de lidar
Há uma aridez
a me assolar
Devastada
e deserta
Exauri-me de
esperas e ensejos
Doravante
sigo eu esmorecida
Tornei-me insossa
e exígua de desejos
vaga de anseios
e ciente demais
de ser
perecível...
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Debandada
Era noite alta
quando se foram
Escapuliram-me
todas as palavras
Adormecida
ingenuamente
eu as cria cativas
Meus vocábulos
sonâmbulos
dispersaram-se
Minha alma
amanheceu
despoemada...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Tecendo...
Alyson Shotz
Enquanto
te espero
me entretenho
Apronto-me
para o encontro
Enterneço
Adorno-me
das delicadezas
e femininas
miudezas
Eu me preparo
Não esqueço
o perfume
e o faro
Nem as pérolas
e o batom
carmim
Espero que
repares
nos detalhes
do que teço
para enredar-te
em minha teia
de rendas
e em meus lençóis
de cetim...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Festa
Hu Jundi
Meus amigos
que não
cultivo
a contento
cujo convívio
anda raro
por falta
de cuidado
e tempo
Pois ando eu
com ouvidos
moucos
para outros
gemidos
que não os meus
Ah queridos
haja indulgência
comigo
até que um alento
venha enfim
Mas enquanto
o pesar
não passa
e minha alegria
anda escassa
façam a festa
por mim!
domingo, 27 de novembro de 2011
repetindo...
Parece-me
que escrevo
continuamente
o mesmo poema
Troco palavras
alterno vírgulas
pontos e adjetivos
E vivo assim
consumindo
sempre
a mesma pena
Altero tons
mudo cenas
mas repito
eternamente
o mesmo ato
parindo sempre
o mesmo feto
sem sorte
Não há arte
em ser poeta
do mesmo
tema...
@Rossana Masiero
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Pedido
Paul Bond
Mantenhas-me longe
de maneira tal
que não possa
perder-te mais
do que jamais tive
Mantenhas-te longe
de mim
assim como nuvem
que se não se alcança
Fumaça
Vapor intangível
que dança
e que passa
Inaccessível
Fiquemos longe
todos os dias
que restam
de nossa poesia
Pela sanidade
e sobrevivência
dos versos meus
E peço mais
Tenhas a decência
de ao menos fingir
que és infeliz.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Fase afásica
by Coryanne Sharer
...mas tem horas
que eu desconsolo
desconcentro
desconcerto
e desalento
Eu desgoverno
e descompenso
Até que eu me desaperto
e o desconforto
desanda desatento
Então
eu recomeço...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Por um fio
Ser poeta
é só um estado
de caminhar descalço
em pedregulhos
É escolher
andar por vias tortas
e apinhadas de entulhos
pelo deleite de se condoer
É estar continuamente
quase a morrer
É dançar perto do abismo
Saltitar em precipícios
bem na beira da soleira
do despenhadeiro
É só uma condição
de gostar de estar
por um fio
de pisar na fronteira
de viver no limiar...
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Lições
Gale Franey
Lucidez lúdica
Inconfessável transbordamento
de essências transparentes
que benevolente me enobrece
Desobriga-me de dedicações
que por si se estabelecem
por condutas afetuosas e bilaterais
Desembota-me os sentidos
Acera-me a libido
Amplia horizontes meus
Eu aprendo a ser melhor...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Artifícios
Vladimir Clavijo
Enfatizo os fardos
meus
para que não
me seja delegado
outros mais que não
sustento carregar
Queixo-me para
dissimular
que dói tanto
o que até dói
de fato
E grito alto
Destaco as aflições
[intenção manifesta]
para desviar a atenção
da minha exata feição
que não tenho cara
de mostrar...
terça-feira, 11 de outubro de 2011
das faltas
Logo eu
que me achava
imune à intempéries
Encontro-me
sujeita à minúcias
melindres e preguiças
Suscetível e refém
de empáfias
fatuidades
e antipatias
Náufraga
da solidão
ando absurdamente
carente
de empatias.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
ilusão
Imagem do google
Se pensas
que sou de verdade
Não sabes
da missa a metade
da instável farsa
que sou
Um dia
serei descoberta
Discernirão
meu embuste
na vida
na arte
na fatalidade
Afasia
é só disfarce
Um engodo
revestido
de mistério
Alegoria
do improviso
Arquiteto
mágicas
Malabarista
de palavras
Pusilânime
concebo poema
para distrair-vos
de mim.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Desilusão
A mansidão
dissimulada
oculta a ferocidade
das minhas descrenças
Suspeito até
certa demência
na ausência
de convicção
Um furor avassala
a minha alma
e imagina-se
camuflado
por detrás da
aparente calma
dos olhos meus
Ninguém sabe
que queimo...
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