Batom e poesias
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Erin Petson
A poesia é leito
de um estranho dialeto
Objeto dileto
Verbo transitivo
para o verso
mais que imperfeito
E o poeta
é um pobre sujeito.
sexta-feira, 30 de março de 2012
desalada
Mirian Lamy
Se tenho o timo
entalando o
ingresso da boca
Se resta em cena
um estrondoso
desatino
Não alço vôo
desvalida
e desabada
Abatida
retorço o dorso
remendo penas
E cambaleando
sigo a pé...
terça-feira, 20 de março de 2012
fragmentos d’eu
Mecuro B. Cotto
Sendo parcela
do meu antônimo
que também me é
Apesar de adverso
diversifico o avesso
(Re)verso
Também consisto
em meu lado oposto
que ainda é parte
de um hemisfério
do incompleto
mistério que sou...
terça-feira, 6 de março de 2012
Declaração
Erin Petson
Eu sou do drama
da trama urdida
Do toma lá
dá cá
da contrapartida
da chantagem
e da comoção
Eu sou do tipo
que se vitimiza
que atormenta
e aterroriza
E o pior que podes
fazer por mim
Não é me ignorar
É amar-me ainda
assim...
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Tempo
imagem do google
Senhor de dias
e eras errantes
Soberano
de séculos
e de instantes
e majestade
de nossa
imensa
vulnerabilidade
Indubitável
nos impõe
a inevitabilidade
sem alternativas
sem chances
de fazer acordos.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Explorando...
Pavel Mirchuk
Cavouco-me as entranhas
e meus estranhos fragmentos
Garimpo reminiscências
e não são rimas que busco
No encalço
do poema essência
O poema derradeiro
que há de apaziguar
meu corpo inteiro
abrangendo o timo
e incluindo o coração
Mas por conta das lacunas
das cavidades
e das ausências
da falta de senhas
e da incompetência
embrenho-me sem bússolas
e sem garantia
Perdi-me nos enigmas
e labirintos de mim.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Vazios
Dayanita Singh
Há certa
tristeza no ar
Um certo
desgosto a me afligir
Esquivo-me de lidar
Há uma aridez
a me assolar
Devastada
e deserta
Exauri-me de
esperas e ensejos
Doravante
sigo eu esmorecida
Tornei-me insossa
e exígua de desejos
vaga de anseios
e ciente demais
de ser
perecível...
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Debandada
Era noite alta
quando se foram
Escapuliram-me
todas as palavras
Adormecida
ingenuamente
eu as cria cativas
Meus vocábulos
sonâmbulos
dispersaram-se
Minha alma
amanheceu
despoemada...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Tecendo...
Alyson Shotz
Enquanto
te espero
me entretenho
Apronto-me
para o encontro
Enterneço
Adorno-me
das delicadezas
e femininas
miudezas
Eu me preparo
Não esqueço
o perfume
e o faro
Nem as pérolas
e o batom
carmim
Espero que
repares
nos detalhes
do que teço
para enredar-te
em minha teia
de rendas
e em meus lençóis
de cetim...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Festa
Hu Jundi
Meus amigos
que não
cultivo
a contento
cujo convívio
anda raro
por falta
de cuidado
e tempo
Pois ando eu
com ouvidos
moucos
para outros
gemidos
que não os meus
Ah queridos
haja indulgência
comigo
até que um alento
venha enfim
Mas enquanto
o pesar
não passa
e minha alegria
anda escassa
façam a festa
por mim!
domingo, 27 de novembro de 2011
repetindo...
Parece-me
que escrevo
continuamente
o mesmo poema
Troco palavras
alterno vírgulas
pontos e adjetivos
E vivo assim
consumindo
sempre
a mesma pena
Altero tons
mudo cenas
mas repito
eternamente
o mesmo ato
parindo sempre
o mesmo feto
sem sorte
Não há arte
em ser poeta
do mesmo
tema...
@Rossana Masiero
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Pedido
Paul Bond
Mantenhas-me longe
de maneira tal
que não possa
perder-te mais
do que jamais tive
Mantenhas-te longe
de mim
assim como nuvem
que se não se alcança
Fumaça
Vapor intangível
que dança
e que passa
Inaccessível
Fiquemos longe
todos os dias
que restam
de nossa poesia
Pela sanidade
e sobrevivência
dos versos meus
E peço mais
Tenhas a decência
de ao menos fingir
que és infeliz.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Fase afásica
by Coryanne Sharer
...mas tem horas
que eu desconsolo
desconcentro
desconcerto
e desalento
Eu desgoverno
e descompenso
Até que eu me desaperto
e o desconforto
desanda desatento
Então
eu recomeço...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Por um fio
Ser poeta
é só um estado
de caminhar descalço
em pedregulhos
É escolher
andar por vias tortas
e apinhadas de entulhos
pelo deleite de se condoer
É estar continuamente
quase a morrer
É dançar perto do abismo
Saltitar em precipícios
bem na beira da soleira
do despenhadeiro
É só uma condição
de gostar de estar
por um fio
de pisar na fronteira
de viver no limiar...
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Lições
Gale Franey
Lucidez lúdica
Inconfessável transbordamento
de essências transparentes
que benevolente me enobrece
Desobriga-me de dedicações
que por si se estabelecem
por condutas afetuosas e bilaterais
Desembota-me os sentidos
Acera-me a libido
Amplia horizontes meus
Eu aprendo a ser melhor...
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