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quinta-feira, 24 de junho de 2010

soneto à inspiração



Dispõe-se doce a regalia refinada
Sobre a indisposta e acirrada picardia
A luz presente profetiza o momento
Da delicada mão da psicografia


E é assim que nascem todos os poemas
De prenúncios e sismológicas sofias
Em que se amparam assombrosos teoremas
Bem mais que o ávido poeta suporia


É mais que óbvio que o vate sofreria
E de verdade é assim que ele morre
Nas mãos do sôfrego desejo inclemente


Busca incessante por versos à revelia
A mão destemperada ao papel só corre
Incidindo sobre a infindável vertente

.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Das ressalvas




Não vou tecer um público poema
E impudica expor a minha vida
Quero fazer segredos do meu tema
E não deixar minha alma confrangida


Não têm que saber que sou aquela
Basta que sintam minha eufemia
Pois os olhos que me olham da janela
Detectam a minha nostalgia


Se me escancaro sei que rarefaço
Não quero um manifesto da poesia
Só roubo do Lácio a última flor


Não para expor meus versos escassos
Segredos da alma e sua atonia
Mas só tornar pública a minha dor.