domingo, 31 de julho de 2016

Frustração







Ainda que eu peça
só por um instante
um tiquinho apenas
de sanidade e calma
é flagrante
a insaciável
morbidez
da minha alma
infinda e turva
Poço sem fundo
de sonhos
malogrados
e de pesadelos
medonhos...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Batom e poesias: Gaiola

Batom e poesias: Gaiola

Gaiola

Imagem do google - Desconheço a autoria



Essa falta de ar
é só avidez de voar
- segreda-me
meu coração -
É ansiedade!
Dizem aqueles
que nada sabem
acerca de asas
A minha alma
tem compleição
de passarinho
que apartado
do voo
sofre de falta
de livramento
e de demasia
de lonjuras
e ausências
Não é capaz
respirar...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Retorno



Saí à procura
de mim e
não me encontrei
Mas posso dizer
que achei
fragmentos meus
por aí
em muitas
pequeninas
coisas
Num quero-quero
distraído
Numa nuvem a
acinzentada
e numa trovoada
de dar medo
Me vi num acorde
numa tragedia
numa palavra
num olhar
e num corpo em
movimento
Achei pedaços
de mim
numa canção
(e claro)
na solidão
Continuo sendo
um mosaico
inacabado.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Busca




Esta casa não está
desabitada
Nem seu poemas
largados
a agonizar   
Apenas
a dona
saiu de si
por algum tempo
para se
encontrar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Temor

imagem do google


Se me perguntam por que  não vou
respondo que em lugar algum 
sou feliz
Em nenhum encontrei paz
Qual a vantagem de repartir
silêncios densos e dores inexprimíveis?
Ando a preferir ficar à sombra
do fim das coisas
cujos lugares meus
localizam-se
sob camas e atrás de portas
Longe dos olhos das pessoas
e dos trovões de um iminente
temporal dentro de mim.
Pusilânime que sou
cubro a cabeça
cerro os olhos e simulo
ser invisível
Tão-somente quero ocultar-me
de viver...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Exibicionismo...

Rafal Olbinski


É na poesia
que desando
Sem condolências
comigo
É quando
não me abrando
e me expando
e me exponho
sem vergonha
Permeio
as coisas abjetas
viscerais
obscenas
e indiscretas

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A esmo...

Imagem do google


Não tenho
a chave
a senha
ou o código
Não vejo a porta
o acesso
a passagem
Perdida
Tão perdida
Que já me resta
pouca
dúvida
sobre essa
incabível
vida.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dos vazios...

imagem do google

Nada me contém
e eu não me contento
Não me detenho
Nada contenho
Sou cheia de nada
e o nada é infinito
Sou infinita...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O frio





Esse inverno vai ser diferente
Vou me portar feito gente
enfrentar o mal de frente
sem gemer nem reclamar
E apesar do incômodo
que esse frio me traz
E os prejuízos a outrem
e infortúnios demais
Vou vestir o meu sorriso
vou procurar o mais quente
(e agasalho, obviamente)
e ir por aí com esperança
mesmo que por um fio
de que a vida continue
e que ninguém possa
morrer de frio...






terça-feira, 13 de maio de 2014

Versejos

Imagem do Google


Ando à margem
dos entremeios
e a caçar entretantos
e alguns poréns
Persigo indignações
sem grandes
expectativas
Ando ser
sem cobiça
de caçar tesouros
Quero versos
pois na poesia
eu  viscejo
e versejo
Lambo as feridas
de dentro
com indulgências
E sem sequer
abrir os olhos
eu passeio
satisfeita e imperfeita
abjeta
indiscreta
e visceralmente
exposta.

domingo, 27 de abril de 2014

Apatia

Marius Markowsk


Tracejo sem volúpias
Só palavrório
de estoico
padecer 
em jornada
carecida 
de sensualismo
Por isso escrevinho
com canetas
sem garras
quase sem tinta
Trafego sem as tais
excêntricas angústias
A não ser as que
sempre sinto
De estar viva sem
viver...

sexta-feira, 28 de março de 2014

Imagem do google

Minto tanto
minto mesmo
Por prazer
por amor
ou por poesia
Vingança ou vilania
Pois que viver
é de grande
inconsistência
E toda minha
anagogia
é uma abissal
enganação
Então
por coerência
e pela minha
convalescente
sobrevivência
eu já minto
de véspera
e por antecipação.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Descosturados



A primeira
impressão
é de que éramos:
Eu
tecido nobre
e tu
linha rija
Nosso amor
em pontos firmes
costurado

Subitamente
sem qualquer
embate
em baldio
desempate
distingo bem
melhor:
Eu
pano puído
e tu
alinhavo frouxo
e sem arremate.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Abandono

imagem do google

Esse meu
coração gasto
e apequenado
mirrou
feito meu timo
intimidado
No recôndito
é onde foi morar
meus olhos
e num refúgio
se abrigou
meu sorriso...