segunda-feira, 29 de maio de 2017

Das miudezas

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De todas essas coisas
do gostar
O que houve com
as tampas dos frascos
e com grampos
que se perderam?
Como se desfaz
de lençóis que já puíram?
Aonde estão os pares
de brincos que se separaram
para sempre?
O que se faz com as lembranças
das palavras ditas?
As bem ditas
e as malditas?
De todas essas coisas
do deixar de gostar
como se dá adeus
ao que já foi eterno?

domingo, 7 de maio de 2017

Amor


Insanidade plena
de esplendida
consciência
e desatino
É o feitio desse
amor notável
que ainda
experimenta-se
por partes
enquanto aguarda
o consentimento
de devorar-se
carregando o alivio
do antropofágico
Amor sublime e atento
antes
Ele virá
irrompendo bocas
rasgando rodovias
trazendo consigo
os ancestrais
e alimentando-se
do seu próprio existir
Amor que enxerga
fótons e átomos
cosmo e cromossomos
Carregado
de pertencimento
absoluto
Amor em ponto de desastre
que fará sucumbir
todos os carmas
e permanecerá por
todas as encarnações.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Bacada

imagem do google


Meu amor
te acabrunhes não
Viajo derrapando
caio em depressão
ando na contramão
Poderemos
caso queiras
mudar o rumo da estrada
da rua esburacada
da rima pobre
e dessa prosa
espaventada
Eu devolvo os beijos teus
(Aqueles que não me deu)
Só não posso ressarcir a rosa
(Ah... também não foi mimo teu)
E não terás de mim
mais qualquer queixume
Permito-te viver impune
sem precisares assistir
nenhum  desastre meu
até que algum sinistro

se consume...

sábado, 3 de dezembro de 2016

Prece

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Livrai-nos dos que
tentam nos entulhar de culpas
e das coisas
que afastam o amor imprescindível
Livrai-nos dos que
reivindicam gratidão por atos de afeto
e das coisas
afiadas e cortantes
Livrai-nos dos rancorosos
e do rancor
e das coisas
amargosas e indigestas
Livrai-nos dos que
se apropriam das certezas
e da lógica
das coisas insofismáveis.
E livrai-nos enfim das ideologias
religiões e preconceitos
e das coisas que nos separam

Amém.

domingo, 31 de julho de 2016

Frustração







Ainda que eu peça
só por um instante
um tiquinho apenas
de sanidade e calma
é flagrante
a insaciável
morbidez
da minha alma
infinda e turva
Poço sem fundo
de sonhos
malogrados
e de pesadelos
medonhos...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Batom e poesias: Gaiola

Batom e poesias: Gaiola

Gaiola

Imagem do google - Desconheço a autoria



Essa falta de ar
é só avidez de voar
- segreda-me
meu coração -
É ansiedade!
Dizem aqueles
que nada sabem
acerca de asas
A minha alma
tem compleição
de passarinho
que apartado
do voo
sofre de falta
de livramento
e de demasia
de lonjuras
e ausências
Não é capaz
respirar...

Gaiola

Imagem do google - Desconheço a autoria



Essa falta de ar
é só avidez de voar
- segreda-me
meu coração -
É ansiedade!
Dizem aqueles
que nada sabem
acerca de asas
A minha alma
tem compleição
de passarinho
que apartado
do voo
sofre de falta
de livramento
e de demasia
de lonjuras
e ausências
Não é capaz
respirar...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Retorno



Saí à procura
de mim e
não me encontrei
Mas posso dizer
que achei
fragmentos meus
por aí
em muitas
pequeninas
coisas
Num quero-quero
distraído
Numa nuvem a
acinzentada
e numa trovoada
de dar medo
Me vi num acorde
numa tragedia
numa palavra
num olhar
e num corpo em
movimento
Achei pedaços
de mim
numa canção
(e claro)
na solidão
Continuo sendo
um mosaico
inacabado.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Busca




Esta casa não está
desabitada
Nem seu poemas
largados
a agonizar   
Apenas
a dona
saiu de si
por algum tempo
para se
encontrar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Temor

imagem do google


Se me perguntam por que  não vou
respondo que em lugar algum 
sou feliz
Em nenhum encontrei paz
Qual a vantagem de repartir
silêncios densos e dores inexprimíveis?
Ando a preferir ficar à sombra
do fim das coisas
cujos lugares meus
localizam-se
sob camas e atrás de portas
Longe dos olhos das pessoas
e dos trovões de um iminente
temporal dentro de mim.
Pusilânime que sou
cubro a cabeça
cerro os olhos e simulo
ser invisível
Tão-somente quero ocultar-me
de viver...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Exibicionismo...

Rafal Olbinski


É na poesia
que desando
Sem condolências
comigo
É quando
não me abrando
e me expando
e me exponho
sem vergonha
Permeio
as coisas abjetas
viscerais
obscenas
e indiscretas

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A esmo...

Imagem do google


Não tenho
a chave
a senha
ou o código
Não vejo a porta
o acesso
a passagem
Perdida
Tão perdida
Que já me resta
pouca
dúvida
sobre essa
incabível
vida.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dos vazios...

imagem do google

Nada me contém
e eu não me contento
Não me detenho
Nada contenho
Sou cheia de nada
e o nada é infinito
Sou infinita...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O frio





Esse inverno vai ser diferente
Vou me portar feito gente
enfrentar o mal de frente
sem gemer nem reclamar
E apesar do incômodo
que esse frio me traz
E os prejuízos a outrem
e infortúnios demais
Vou vestir o meu sorriso
vou procurar o mais quente
(e agasalho, obviamente)
e ir por aí com esperança
mesmo que por um fio
de que a vida continue
e que ninguém possa
morrer de frio...