segunda-feira, 16 de agosto de 2010

muito simples...

Gustavo Rosa - Série banhistas

Abandono-me ao seu lado
que seu instinto sem censura
me salva do meu embaraço em viver.

Resgata-me sempre no último instante
de penhascos de onde por um triz
não desmorono.

Guardião atroz que me traga
do meu particular inferno
e me atira no seu.

Assim faz com que eu tenha que lutar por mim
[como eu jamais lutaria sem ser impelida]

Arranca-me do confortável sofrimento
que constantemente me imponho.

E desmitifica-me
Caçoa de mim

Até que atônita e exausta
eu aceite que tudo é mesmo
muito simples...

23 comentários:

Rodrigo Braga disse...

Quase tudo é simples. Quase tudo é doce. Quase tudo é poema.

Se existe uma palavra para esse poema é aconchegante.

Mirze Souza disse...

Ross, linda amiga e poetisa!

Dizem que a vida é simples e nós a complicamos.

Tenho minhas dúvidas, mas não tenho dúvidas que você escreve de forma perfeita!

Quase dá para entrar na tela e arrancar você.

AMEI!

Beijos

Mirze

Jorge Pimenta disse...

questiono-me sobre este segundo "eu" poético (ou "tu") que veste a indumentária do instinto, da ausência de censura, da segurança, mas, sobretudo, aquele que (ironicamente) nos arranca do "confortável" sofrimento. onde anda ele?... dentro ou fora de nós? acaso será a própria vida?
um beijinho!

Marcantonio disse...

Muito bom, Rossana! Difícil qualificar o sofrimento como auto-imposto ou não. E sei também que o próprio instinto sem censura frequntemente é também mistificado, e aparece ao nosso redor em slogans voluntaristas que só podem se basear mesmo na idéia de que tudo é simples. Mas...

Beijo.

Ives disse...

Oi, gostei, abraços

Nayara Maia disse...

Tão simples, que quase ninguém vê; só quem é poeta!

Belo espaço, esse teu!

Abraço!

Assis Freitas disse...

eita coisa díficil de aceitar é a simplicidade do simples, quando a gente acha ganha magnitude,


beijo

Lara Amaral disse...

Há sempre aqueles certeiros com seus tapas de luva.

;)

Beijos, flor bela!

Phoenix disse...

todos nós acabamos sempre por complicar tudo o q é simples..gostei mt deste poema..dessa luta "[como eu jamais lutaria sem ser impelida]". **

contagotas disse...

Seu "anjo da guarda" sabe o que faz.

Beijos amiga lutadora!
MariaIvone

Ribeiro Pedreira disse...

encarar o inferno como simples e rotineiro é encontrar o fim das coisas. a poesia extraída desse sofrimento é ímpar.
bjs!!!

A.S. disse...

Sim querida... tudo é tão simples! Nós por vezes é que complicamos...


BjO´ss
AL

Batom e poesias disse...

Rodrigo: Não pensei em aconchego, mas sabe que tem razão? Grata.
Bj

Mirse: Você me faz feliz!
Bj

Jorge: Eu não sei a resposta, mas gosto que venha.
Bj

Marcantonio: Mas...? Contente por vir e comentar.
Bj

Ives: Bem vindo!
Bj

Nayara: Você vê, menina. Grata.
Bj

Assis: Mais simples que aceitar a simplicidade é nem pensar nela...
Bj

Larinha: Ainda bem que existem. De vez enquando eu preciso, minha linda.
Bj

Phoenix: É uma luta inglória, e acho que não lutaria sozinha.
Bj

Maria Ivone: Não tens a noção do quanto esse "anjo" é sábio, amiga.
Bj

Dado, é igual dor de dente...
:)
Bj

Albino: Se não complicar não tem graça... Grata por vir.
Bj

Miltextos disse...

Nada como um poema após o outro...

tonhOliveira disse...



Sim... please!

:)

Wania disse...

Rossana querida!

Tudo é muito simples...mente complicado! ;)))))))
Mais ainda para quem ve "os três lados" de cada coisa... ser poeta tem disso, minha amiga!


Bj descomplicado pra ti.

JB disse...

Às vezes lá vem a tendência de complicar tudo, quando tudo é tão simples!
Às vezes precisamos que nos mostrem as evidências, que por serem tão evidentes nos passam ao lado.

Beijinho

Batom e poesias disse...

Miltextos: com uma saudade no meio.
MIl beijos.

Tonh0: Yeh!
Bj

Wania: Na verdade, tenho olhinhos de abelha...rss
Bj

JB: Tem razão. Grata por vir.
Bj

Eraldo Paulino disse...

Era pra eu pensar só em sexo com esse poema? rsrs

Lindo, como sempre, minha querida.

Bjs e batons!

Mário Lopes disse...

Que bom mesmo ter um anjo da guarda disponível para vir cá à terra beber um copo com os contendores e fazer-lhes ver que essa luta permanente é inglória. Inteligente como é, saberá aproveitar a fadiga de ambos para os convencer...Até à próxima refrega, que em verso de imensa mestria será descrita pela poetisa aceite por ambas as partes como o seu corpo, concordando estas em serem as asas direita e esquerda da ave que será o poema, destinado a pousar nas nossas mãos, ainda quente do seu esforçado voo, conforme acordo subscrito de livre vontade pelas três partes envolvidas.

Como bem disse Jorge, de Miltextos, nada como um poema após o outro. Voando de ti, claro, querida Rossana.
Beijo.

Fouad Talal disse...

no último instante de penhascos, você não desmorona:
você avoa!
avoa menina...

bjo!

Batom e poesias disse...

Eraldo, você só pensa... naquilo!
kkk
Bj

Mário, você tem asinhas?
Bj

Fouad, é que você não viu as hematomas...rss
Bj

Cris de Souza disse...

Muito simples...

Esse poema é complexamente belo!