quarta-feira, 11 de agosto de 2010

SEM PIEDADE


De coração perplexo
Cansei de articular
complexos anseios
que já nem me interessam
Salvo engano nem sou poeta
Não sou apoio
Nem estaca, nem espeque
Não vejo o tempo
nem sei a hora
Não tenho escadas ou escora
Não sinto nada
Afeição ignorada
Reconheço-me na aflitude
[amplitude da aflição]
Entre acometimentos
parcos de sentimentalismos
escolho o lado mais tênue do nada
onde a neblina diverte-se
em me enfurecer
pela dor de me saber anódino
Irrito-me por estar inábil
E avisto a poesia por detrás das sombras
que se ri de mim
sem piedade.

22 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Ta precisando de uma massagem nos pés ...

Marcantonio disse...

Rossana, esse poema é dos melhores que li aqui, sem dúvida."O lado mais tênue do nada", muito bom.

Beijo.

tonhOliveira disse...



pô eta,
chame a arquiteta
projeta a rima certa!

aquieta esta alma inquieta!

espero que a sugestão esteja certa.

be:)os!

Lara Amaral disse...

Ela me faz rir de mim mesma, mas até acho bom às vezes o humor mórbido da poesia.

Beijos, querida.

Batom e poesias disse...

Flávio, você consegui arracar-me uma gargalhada antes das 8h00 da manhã! Bom sinal. Adoro massagem nos pés. bjcas

Marcantonio, esse elogio, vindo de você, me faz muito feliz. Bj

Ah TonhO, a Arquiteta, foi transformada em Urbanista, que foi afogada por Legislações...
Melhor brigar com a poesia. Bj

Lara, as vezes eu e a poesia rimos uma da outra. Duas bobas :)
Bjca

Zélia Guardiano disse...

Lindíssimo, querida Rossana!
Lindíssimo!
Li, reli e é preciso ler muitas outras vezes...
Que delícia começar o dia assim!
Enorme abraço, amiga!

Mário Lopes disse...

E assim, à falta de marés vivas que galguem as avenidas marginais da razão ou de torrentes que invadam os campos já alagados da emoção, a poeta diverte-se a chapinhar nas poças rasas da chuva curta, do "lado mais ténue do nada". No entanto, logo que o deixa de fazer, o céu azul com nuvens brancas da poesia reaparece, perfeitamente liso, sem rugas, reflectido nos seus olhos de criança. E tudo recomeça de novo, enquanto houver água e a nossa poeta se divertir...a fazer poesia de poças rasas de chuva curta.


Admiro muito estes teus poemas doídos, nascidos em águas de calmaria. Como se deitasses ao mar até os próprios mantimentos, para que o barco consiga navegar, quando o vento quase não existe.
Belo poema, querida Rossana.
Beijo.

Assis Freitas disse...

a poesia que se ri, faz troça e nos destroça, anódino é ótimo remédio,

beijo

Jorge Pimenta disse...

"escolho o lado mais tênue do nada
onde a neblina diverte-se
em me enfurecer"

rossana, versos perfeitos, estes! do outro lado do nada, estamos nós e a poesia, de mãos dadas, indiferentes à névoa...

um beijo!

Mirze Souza disse...

Ross, amiga linda!

A poesia tem inveja de você! E as sombras, riem para você. Reconhecem a grande poetisa que as chama.

Belíssimo poema! Um dos mais belos desta série.

Beijos

Mirze

Batom e poesias disse...

Zélia: Que feliz fiquei com seu comentário. Muito feliz!
Bj

Mário: Meu anjo, são braçadas doloridas, mas me mantenho à tona.
Você me sabe...
Bj

Assis: Vou tomar um vidro de "Anódino"! ;D
Bj

Jorge: É no nada e no vazio onde estamos sempre criando. Feliz por vir.
Bj

Mirse: Só você, minha querida! Espero que seja uma "mini-série pois estou com vontade de ficar contente da vida...
Bj

Ribeiro Pedreira disse...

todo sentido de descer os ânimos está em levitar aos olhos da poesia que se ri dela mesma (sem saber).

Wania disse...

Rossana querida!

A poesia é sábia, ri porque sabe que o lado mais tênue do nada é muito pesado. Ela já aprendeu por experiência própria...

Que a neblina se dissipe e que vocês façam as pazes!



Um abraço apertado neste coração mais apertado ainda!
Fica bem!

Rodrigo Braga disse...

Acho que vou passar a ler seu blog pela manhã, pois é uma sensação boa começar o dia com sua poesia. Você tem uma linguagem só sua e deliciosa.

Bjs!

Cristiano Contreiras disse...

Interessante tua maneira de expressar sentires íntimos, das sensações e das cores de seu próprio cotidiano...gostei do teor do blog! te sigo!

Miltextos disse...

Linda. Lírica. Louca... Que meus olhos não enxaergam. Mas sentem.

Eraldo Paulino disse...

Gosto de gente assim como você, que trepa com a poesia por detrás das moitas, por entre os quintais dos vizinhos, atrás da sala da mamãe...

Obrigado por namorar escondida com a poesia, e nos trazer ótimas histórias mentindo sinceramente em versos.

Bjs no batom!

Batom e poesias disse...

Dado, gosto quando vem por aqui, querido. Mais ainda dos comentários.
Bj

Linda doutora Wania, eu estou bem, eu acho.!?!
:D
A poesia me confunde...
Bj

Rodrigo, como bom sambista, você não deve acordar muito cedo.
Mas é bem vindo a hora que vier.
Bj

Cristiano, bem vindo. Espero que volte.
Bj

Jorge, eu sei...
Bj


Eraldo, você é doidinho de pedra.
Adoro!kkk
bj

Juan Moravagine Carneiro disse...

Ficou muito legal a nova cara do seu espaço...

é sempre um prazer receber suas visitas no Rembrandt

abraço

Canteiro Pessoal disse...

Rossana, que delícia teu cantinho.

Abraços

Priscila Cáliga

Phoenix disse...

"E avisto a poesia por detrás das sombras
que se ri de mim
sem piedade"

como sempre gostei mt mm *

Batom e poesias disse...

Juan, venha quando puder. É sempre uma alegria.
Bj

Priscila, grata por vir. Vou lá conhecer o teu canteiro.
Bj

Phoenix, que bom que gostou. Fico feliz.
Bj