domingo, 19 de setembro de 2010

Xadrez

Imagem do google

Exausta de calcular
próximos movimentos
e conjecturar sobre
quem vai movimentar o tempo
Observo extenuada
o vento
que sem cautela se entrega
ao momento
Plagiarei então o vento
e inconseqüente
me entregarei ao tempo
sublimando atos
Não há mesmo
como antever os fatos
nem prever fracassos
e anteceder transtornos
Prudente mesmo
é abdicar dos sonhos
Sequer ousar
Resignar-se...
Cansei de jogar
com Deus.

Rossana Masiero

*



Taiguara: Cantor e compositor "brasileiro", nasceu em Montevidéu durante temporada de shows do pai (bandoneonista e maestro gaucho Ubirajara da Silva), em 9 de outubro de 1945. Fez grande sucesso nas décadas de 60 e 70 com vários clássicos da MPB. Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira. Foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas, o que o levou se auto-exilar na Inglaterra por muitos anos. Faleceu em 1996 de câncer na bexiga, no "ostracismo".

11 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Melhor do que lutar com o que não podemos
É relaxar
e aproveitar o que temos

Mirze Souza disse...

Ross!

Seu poema, como sempre lindo, traz uma resignação.

É por gostar muito de você, que atrevo-me a dizer: NÃO DEIXE DE SONHAR, NUNCA!

Amei o vídeo, mas não sabia que Taiguara tinha morrido. Talvez por ter sido na época da minha mãe adoecer.

Doce amiga!

Amei tudo!

Troque seus sonhos.

Beijos

Mirze

Thaís Winck disse...

Oii
adorei o poema
Muito lindo
beijos na alma
http://thaiswinck.blogspot.com/

Lara Amaral disse...

Complicado brincar com quem inventou o jogo. Ótimo poema!

Linda música. E ah... essa voz de anjo! Agora vc tem que colocar sempre uma música cantada por vc aqui, viu? Já me acostumei, já era. =)

Beijo.

Rodrigo Braga disse...

Nossa Rossana...me emocionei com essa postagem. Que coisa linda!

Que a vida lhe traga movimentos suficientes para momentos como esse.

Marcantonio disse...

O que comento, o poema ou a interpretação da canção? O poema é inquietação filosófica com o determinismo do tempo, a impossibilidade de vencê-lo pela vontade ou antecipá-lo pela razão. Mas resignar-se não é deitar o rei no tabuleiro antes do cheque-mate? Realmente, acho que Deus não joga dados, mas xadrez.

Taiguara tinha um trabalho com características muito próprias,não? Não sei porque permanece no ostracismo se as suas mais belas canções não parecem datadas? A sua interpretação é ótima. Concordo com a Lara.

Beijo.

Mário Lopes disse...

Ser um barco que raramente é visto ancorado e que namorará com o mar que o viu nascer, reflectindo nas águas o seu nome em letras azul-marinho...Ainda é esse o teu tempo e assim será, estou certo, "filha do céu azul das manhãs de primavera". E poderás cantá-lo aos quatro ventos, do modo como cantas para nós, a magnífica canção que nos ofereceste.

Mais um teu poema lindo, nascido na fadiga do desencanto de rumos e rotas em vão. Em Setembro, o teu mês...

Beijo terno de alento.

José Viana Filho disse...

Parabens pelo poema e pela bela escolha da musica do bom e velho taiguara, ele deixou saudades!!!

Ribeiro Pedreira disse...

o jogo é a brincadeira séria. o vento, um sopro do tempo...
bjs!

tonhOliveira disse...



Joga-me o amanhã...
na manha e a mãe é ser...

Quero mais moça,
"eu moço nei-me!"

Que "ar canteta, qui poetora"!

Be:)os

Francisco Coimbra disse...

Belo espaço de variada poesia, parabéns!