sábado, 2 de outubro de 2010

co[R]ação

 Pablo Picasso, Femme écrivant


Padeço de “poetasia”
uma moléstia congênita
Assemelhada à “lirismo-apatia”
Dolorida essa danada
Um  abscesso que se aloja
entre o cérebro e o coração
[mais precisamente no timo]
onde agora comprimo com as mãos
De sintomas perversos e urgentes
Impelem-me a escrever versos
repentinamente
Mesmo sem mote ou sem musa
a despeito da minha precisão
Pulsa e lateja
e some o ar
Escrevo então por temor
Para ver se me redimo
para não perder o fio
e para poder respirar
Com fé que essa dor pare
assim me espremo
assim me exprimo.

Coação
Oração
Coração

 
Rossana Masiero

20 comentários:

Thaís Winck disse...

muito lindo o poema
algo bem mistico
adorei mesmo
beijos
http://thaiswinck.blogspot.com/

Mirze Souza disse...

Lindo poema!

Quase canção do cor-ação. Cuide bem dele, ame-o. Nós precisamos de você inteira, coração!

Beijos

Mirze

Poesia Cibernetica disse...

Nossa, que belos poemas!!

Zélia Guardiano disse...

Lindo, Rossana!
Com que clareza você consegue exprimir a ansiedade que traz a necessidade de criar...
Adorei, querida!
Beijo.

Wania disse...

Rossana

Esta doença é maligna e apesar de incapacitar momentaneamente a escrita ela metastiza com facilidade em poesia, ataca preferencialmente os poetas com grande habilidade na escrita. O coração é que precisa suportar...



Bela criação, apesar da "patologia".

Bjs, minha querida!

tonhOliveira disse...



Cora ação do cão!

Bate-bate ♥!

contagotas disse...

Só um poeta sente assim!
O impulso da escrita, o lampejo do momento, a urgência do dizer. E quem melhor que tu, minha amiga, poderá dar corpo ao personagem?

Beijos,poeta
MariaIvone

Rodrigo Braga disse...

É um dos lugares que mais gosto de visitar. Aqui é vida real com todas as sensações existentes só que bem mais bonita.

Dessa vez além de intensa segue filosófica nesse lindo poema.

Lara Amaral disse...

"Escrevo então por temor
Para ver se me redimo
para não perder o fio
e para poder respirar"

Lindíssimo, tudo! Ah...

Beijo.

Marcantonio disse...

Realmente, um belo poema, Rossana, que reafirma a função catártica da poesia.

Por acaso eu jamais havia visto esse quadro de Picasso.

Beijo.

Em@ disse...

Vim via Fouad e gostei. fiquei para ver +.

Assis Freitas disse...

tens coração generoso e palavras em ofertório, eu agradeço: a poesia também

beijo

Phoenix disse...

que lindo! está aí uma impulsividade que dá toda a força a este poema=)**

so sad disse...

escrever, sentir, viver, assim, no papel, pra gente ver...
beijo!

Mário Lopes disse...

Poesia transformas, poesia serves, poesia te alimenta, poesia te consome. Em longo padecimento um rio te percorre, um rio que quer cantar ainda. Como uma manhã de verão no verde azul que te queima.


Belíssimo o teu poema-confissão, em estilo rossaniano inconfundível!

Beijo terno.

Jorge Pimenta disse...

ofício poético, ou as dores de escrever (e ainda mais de não escrever).
um beijo, rossana!

Flávio Morgado disse...

Lindo poema, Rossana. Desse gostei muito o jogo de palavras no fim, que mantém a idéia por todo poema (tentando se decifrar).
Beijo.

F.M.

Wilson Torres Nanini disse...

É assim mesmo! Essa febre crônica, "mesmo sem mote ou sem musa", ocupa todos os cantos e vive em nós como uma víscera pululante, impelindo-nos ao papel estéril, por vezes.

Abraços!

Dilberto L. Rosa disse...

De pé a bater palmas, como o bonequinho da crítica, de peito estufado com o ritmo, os neologismos e o pulksar freneticamente vivo deste belíssimo poema! Parabéns e abração!

Poesia Cibernetica disse...

Valeu pelo comentário. Agora sou seguidor do blog.