sábado, 21 de março de 2009

ÓPIO

Confesso-me desavergonhada, viciada em você
Luto a batalha dos corrompidos e desabonados
O combate dos abandonados
Dos que já estão irremediavelmente perdidos...
Meus dias e noites são ruins

A síndrome da abstinência tem sintomas dolorosos
Suas palavras são o meu ópio
Sua prosa, a "droga" que me deleita
Dependente, quero mais, sempre mais e ainda mais!

Necessito da euforia do prazer de ler-lhe
e do sono onírico que vem depois desse prazer
Quero o sentir o gozo nos seus versos
Careço urgente do anestésico especial
de seus poemas
para a dor insuportável de viver

Sei que o vício me conduz ao inferno
que é onde habita o desejo
E como eu desejo...
Nada mais me importa, é a verdade...
Tamanha a força dessa vontade
A necessidade é química, física,
é feral...

Sórdido é o que faço para obter
só um pouquinho mais de você...
Só mais uma dose...
Mais uma vez...

Quero fumar-lhe, mascar-lhe,
cheirar-lhe, injetar-lhe dentro de mim
Quero drogar-me até o infinito de palavras suas
Quero chegar ao fim do fundo do poço de mim
Na dor, no cerne, na carne
No âmago da alma e ainda mais se mais houver

Quero a "overdose" de um poema de amor letal
Porque o fim que tenho agora não termina
E fim que não termina não mata e não cura
É visceral tortura na inconsciência cerebral

2 comentários:

glória disse...

Rossana, acabo agora de ser surpreendida com o melhor dos presentes. A cumplicidade. Ao ler tuas palavras sobre aquele texto escrito nos “linhas” percebi que fios invisíveis interligam pessoas banhadas de intensidade e de palavras vivas. Fui eu quem te encontrei primeiro e me encantei. Grata, muito grata por teres me lido com delicadeza e por teres deixado rastros para que encontros fossem tecidos. Agora, sobre o “ópio”. Teus escritos me levam a sentimentos-feito-magmas-de-vulcão. O meu corpo se levanta. Poemas condimentados de palavras de temperatura alta, que se cruzam diante de nossos olhos, felinamente, seduzem e viciam. Pior, nem tratamento existe para essa vontade de um dito que seja, uma linha, uma rima, uma flutuação de sentido. Eu sei. Sigamos nos lendo, te encontrar me trouxe um grande contentamento. bjs

j. monge disse...

Caramba!
Se o tigre escrevesse, escreveria assim.
Adorei!